Radio Liberdade

Pombal, 19 de agosto de 2017 - 09:51

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Sons da vida"

    Publicado em 18/08/2017

    São muitos os sons que chegam aos nossos ouvidos durante o percurso da vida. Alguns oriundos da natureza, outros provenientes do homem. Uns são estridentes, inquietam a alma, causam ansiedade e estresse. Já outros são suaves, acalmam o espírito, tranquiliza-nos.

    Os sons que emergem das grandes metrópoles não nos fascinam. A poluição sonora advinda do trânsito é algo que incomoda, provoca ânsia e desassossego. Já no campo, o som é tênue e afetuoso, aquieta a alma, fazendo com que o tempo caminhe mais docemente.

    Cada ser humano se afeiçoa a um determinado tipo de som. Somos daqueles movidos a música. Logo que acordamos passamos logo a ouvir canções, preferencialmente, músicas instrumentais, de toque bem suave.

    Elas nos acompanham também quando estamos trabalhando, seja preparando despachos, sentenças ou mesmo escrevendo textos literários ou jurídicos. Trazem serenidade, equilíbrio e inspiração, parece que nos permite sair do nosso corpo e flutuar por templos de relaxamentos.

    Sei que alguns acham que esse tipo de som, como também aqueles tidos como românticos e boêmios, podem causar tristeza e nos levar a um estágio de taciturnidade. Mas, conosco funciona diferente, pois, por exemplo, sob o som instrumental de Nando Cordel, os dias são mais fáceis e tranquilos. O Poeta de Ipojuca-PE, consegue com seu som adentrar em nosso espírito e no remanso das notas musicais espantar temores e angustias que o tormentoso mundo do terceiro milênio nos impõe, de vez em quando. Ouço também canções internacionais, antigas e atuais.

    Sou amante do forró, xote, xaxado, coco e baião, enfim, desses ritmos do balaio Nordeste, pois contam a nossa história e, incrivelmente, mesmo com um tom melancólico, nos permite dançar com alegria nos terreiros da vida. A boa música é alimento espiritual e nos faz bem!


  • "Energúmenos"

    Publicado em 24/07/2017

    Temos que ter muito cuidado com aqueles que andam se auto declarando dignos, sérios, honestos, humildes e simples. O rosto da dignidade e da ética não necessita de marketing, nem muito menos de holofotes, pois como a decência e todos outros traços importantes de uma boa personalidade, esses atributos são percebidos, até pelo mais simples homem do povo.

    Aliás, essas virtudes deveriam ser a regra e não a exceção. O tempo reservou o tratamento honorífico de “digno”, para cidadãos possuidores de autoridade moral, honestidade, honra, respeitabilidade e decência reconhecida por toda uma sociedade.

    No mundo em que vivemos, dignidade é algo difícil. Num tempo em que a corrupção mostra sua face a cada noticiário jornalistico, é estarrecedor, mas, a verdade é que quanto mais a mídia mostra investigações, denúncias e prisões, incrivelmente, no dia seguinte, visualizamos outros casos de corrupção surgirem. Parece que paira na cabeça desse povo a ideia de que: Eu posso roubar e não serei pego, pois, prisão só acontece com o meu vizinho.

    É aí onde mora o engano. A crença na impunidade, proporciona o aparecimento de uma espécie de imbecil. Verdade, pois, só um energúmeno pode pensar uma insanidade desse tipo, ao ponto da pessoa acreditar que se pode praticar todo tipo de safadeza e jamais ser apanhado.

    Outrora os contratos eram garantidos pela palavra do homem, ou, por fio de cabelo. Hoje existem contratos escritos, com testemunhas e registrados em cartório, mas, são quebrados e levados a Justiça. É por isso, que corre um gigantesco vento de desalento que vem fragilizando os que, ainda, lutam por uma vida pautada pelos bons costumes.

    Com Deus no coração devemos a esperança em dias melhores!


  • "O professor e o matuto"

    Publicado em 20/07/2017

    Na vida, professor é quem transmite seus conhecimentos para alunos, educando-os para a travessia da longa estrada da vida. Já o matuto tem no dicionário, conceito, que se refere a pessoa que habita o mato, indivíduo ignorante e ingênuo.

    Mas, quem conhece de perto o matuto, sabe que ele não é nada disso. Tem sua própria cultura, suas crenças e visão singular sobre o mundo. É ser inteligente, fonte inspiradora de mestres como Jessier Quirino e Ariano Suassuna. Pode não ser letrado, mas também é professor.

    Como disse Gildson de Oliveira, um matuto conquistou o mundo, o Rei do Baião. No início do Século XX, nasceu o pernambucano daquele Século, seu Luiz, lá nos confins do Pernambuco. O mundo era outro, pois a comunicação e o transporte não eram como hoje. Mas esse matuto retirante, invertendo as coisas, levou no seu matulão a musicalidade de um povo chamado Nordeste. As duras penas, a tornou visível para o Brasil e para o mundo.

    Afora isso, Gonzaga teve sua vida pautada pela ética, autenticidade, generosidade, figura agregadora e artista que sempre abriu seu palco para novos artistas. Político sem mandato, na seca, era o primeiro a realizar shows para matar a fome e sede de seus irmãos flagelados.

    Deu mais de 300 sanfonas, e, mesmo assim, depois de 18 anos de sua partida, vem agora, um que se diz letrado, taxar Luiz Gonzaga de salafrário, afirmando, ainda, que ele nunca foi compositor e que constrangia poetas para conseguir parcerias.

    Destilado e covarde intrujice, talvez revele que o letrado não aceite que a matutice tenha levado o “Lua” a iluminar tantos céus, inclusive, o seu. A frustração não arranha a vida e obra do menestrel do sertão. É, sempre será o eterno Rei do Baião! Viva o Nordeste de seu Luiz!