Radio Liberdade

Pombal, 26 de August de 2016 - 01:53

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Despersonalização"

    Publicado em Feb 8, 2016

    Conversando com o amigo João Cláudio Moreno veio a percepção de que talvez vivamos hoje uma das piores fases da humanidade.

    A história conta que o homem já passou por muitos momentos de turbulência, por batalhas e guerras mundiais, mas, o instante é diferente, pois o planeta corre sério risco, haja vista que vem sendo agredido impiedosamente pelo ser humano, ao ponto de comprometer a sustentabilidade do nosso ecosistema e da própria existência humana.

    O homem mostra-se cada vez mais egoísta, desalmado, frio, sem apego a cultura de seu povo, sem compromisso com a história e venerando o ter como o Deus supremo. É um processo de aniquilamento do humanismo. É o amor substituído pelo vil prazer, a fé pelo comércio, a solidariedade pela usurpação.

    João me chamou atenção sobre o empobrecimento da nossa música. Ressaltou que música é algo divino, pois Deus quando criou a humanidade, fez a música antes de tudo. Canções são traços da personalidade de um povo. Permitir a desvalorização dessa musicalidade é despersonalizar o próprio povo, deixando-o frágil e sujeito à dominação de qualquer um, principalmente dos espertos que vivem do lucro fácil e exterminam, por exemplo, a tradiçao religiosa, musical e alimentar desse povo.

    Lembrou-me que é preciso resistir, pois a India só conseguiu se libertar da coroa inglesa porque agarrou-se as suas tradições e não permitiu sua despersonalização. No nosso caso, estamos diante de um Estado em fervoroso estágio de despersonalização. A saúde é precária, a educação capenga e a segurança, inexiste.

    Aliás os cidadãos nem nos seus lares se sentem salvos. Como diz João, o Esado que devia prevenir, coibir, reprimir, punir e recuperar seus cidadãos, só faz recolher e levar o ser humano a qualidade de monstro, pois uma cela que comporta cinco pessoas e encontra-se com cinquenta, quando aquela pessoa sai vais matar, degolar e praticar as maiores bárbaries, pois perdeu qualquer referência de afeto e de amor.

    Devemos lutar observando os ensinamentos de Deus, com a certeza de que mesmo se nos sentirmos pequenos, lembremos que a semente da mostarda quando cultivada torna-se grande.


  • "Sob o medo e o abandono"

    Publicado em Feb 6, 2016

    A Rua da República, no Bairro do Varadouro, é, inegavelmente, uma das ruas mais antigas da capital paraibana. Ali, encontramos a Praça do Trabalho, hoje mais conhecida como a "Praça da Pedra", onde um monolítico de aproximadamente dois mil quilos, trazido de trem, no ano de 1932, do município de Bananeiras-PB. Foi ali colocado para homenagear o Presidente João Pessoa, sendo um patrimônio e um símbolo histórico da cidade.

    Em tempos idos, quem chegava em João Pessoa, de ônibus, tinha que passar pela Rua da República, para ter acesso à antiga Estação Rodoviária, logradouro que abrigou a antiga fábrica Matarazzo e as casas onde morava boa parte de seus operários. Rua de muitas residências e incrível diversidade de lojas comerciais. Muitos costumam dizer que na República de tudo se encontra para comprar, e com bom preço.

    Mas o tempo passou. Quem sai da cidade baixa para o centro de João Pessoa, sobe contemplando a fábrica fechada, abandonada, além de visualizar seus casarios antigos, muitos desgastados pelo tempo, pela inércia e/ou pela ação do homem. Se vê inúmeras lojas comerciais, que lutam contra a impiedosa crise que assola o país, agravada pelo abandono e medo.

    Quem por ali vive, trabalha ou transita, fica perplexo por assistir a cenas impactantes. De segunda a sexta-feira, a região amanhece com mulheres e homens, zumbis, jogados pelas calçadas, ou cambaleando, exaustos, pelo leito da rua. A prostituição reina no local. Sob o sol, eles começam a sair de cena, mas alguns ficam por ali. Quando a tarde cai, já depois das 16, é hora dos comerciantes fecharem as lojas e dos moradores se recolherem para suas casas, pois a prostituição e droga voltam a ditar o medo. Os zumbis disputam e consomem substâncias entorpecentes, além se prostituírem em plena via pública. Nos domingos, a rua é de desventura, uma verdadeira calamidade.

    Uma tragédia com cenas tristes e não menos chocantes, que se repetem diariamente. O incrível é que todo mundo sabe disso, mas ninguém toma providências para resolver a situação. Sob o abandono e o medo, a centenária Rua da República pede socorro. Clama por ações que acabem com o crime e o sofrimento ali reinantes. Não há desculpa. É preciso agir. E logo.


  • "Liberdade"

    Publicado em Jul 5, 2016

    Podemos afirmar que liberdade significa o direito que temos de caminhar e proceder na vida conforme nos pareça adequado e nos conduza pelas veredas da felicidade.

    O que se observa, contudo, é que muitos falam em liberdade, mas esquecem de que esse sublime direito obedece também a limites, pois a liberdade deve ser exercida até que não vá de encontro ao direito de outrem.

    No norte desse conceito, Leon Tolstoi costumava afirmar que “não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”. Nélson Mandela, que, por muitos anos, ficou encarcerado, lutando pela liberdade de seu povo, mesmo sob as dores e solidão do cárcere, dizia que: “Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros”.

    A compreensão desses aspectos acima suscitados nos remete a verificar que muitos falam de liberdade como se ela autorizasse a prática de todo e qualquer tipo de ato. Isso não é liberdade. É egoísmo. A liberdade pressupõe leveza, portanto, não se coaduna com ações que provoquem dores aos semelhantes. Liberdade é prima do amor e irmã da verdade, por isso, é preciso que tenhamos cuidado quando tratamos do tema.

    O certo é que, às vezes, alguém que se imagina um vivenciador da liberdade, não passa, em verdade, de um prisioneiro envolvido por grades invisíveis. Não era à toa que Mahatma Gandhi nos apontava que a liberdade era uma questão de consciência, ilustrando que: “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livre na prisão”.

    É preciso separar o egocentrismo da liberdade, pois é inadmissível que o homem vulgarize ou banalize a liberdade só para alcançar objetivos, muitas vezes espúrios, apenas para a satisfação do intuito de continuar a alimentar a glória de seus próprios desejos, mesmo atingindo e malferindo semelhantes.

    Outro ponto diz respeito ao fato de que, hoje, tentam confundir liberdade com libertinagem. São coisas bem distintas. Quem busca entrelaçar esses aspectos é movido por propósitos promíscuos, que, no mais das vezes, colocam em risco estruturas necessárias para o bom funcionamento da sociedade.

    Viva a liberdade que propague paz, amor e a fé em Deus.