Radio Liberdade

Pombal, 17 de janeiro de 2018 - 05:18

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "O ano que se inicia"

    Publicado em 11/01/2018

    2017 passou rápido, imaginem 2018, repleto de eventos. Carnaval em fevereiro, Semana Santa no mês de março, seguida pelas festas de São João no mês de junho e da Copa do Mundo da Russia.

    Logo em seguida, a campanha eleitoral com eleição para outubro. E chegará novamente o Natal e a festa da virada de mais um ano.
    São realmente muitas datas.

    Contudo, para a travessia desse novo ano é preciso de um lado a esperança de que as chuvas cheguem ao sertão e possam assim espantar a estiagem. Não sou negativista, pelo contrário, sempre vivo com o olhar voltado para a fé de que o inverno, efetivamente, abrace o sertão, o cariri e o agreste, pois se água não cair do céu, a situação será de vaca desconhecer bezerro.

    Os grandes mananciais d'água estão quase todos em estado crítico. Se não chover não tem onde buscar água, o que implica dizer que carro pipa e adultoras serão inócuas. O cenário pode ser caótico. É uma visão que preocupa e não vejo planos alternativos para o enfrentamento desse contexto, caso a estiagem se prolongue pelo sétimo ano.Acho que precisamos de mais barragens e, por que não, da desalinização. É claro que devemos nos voltar mais para a preservação a natureza.

    A verdade é que o tempo passa e nada de chuva. Vivenciamos uma das maiores secas da nossa história. Jamais imaginei o açude de Coremas com tão pouca água. São problemas seculares. Inegável que deixamos de ter um planejamento eficaz no combate a seca..

    A falta não é só de chuva, é educacional, cultural e de compromisso em equacionalizar definitivamente tais questões através de política hídrica capaz de sepultar tais males.

    Que venha o inverno, suas águas e o verde das plantações!


  • "Adeus 2017"

    Publicado em 01/01/2018

    Mais um ano se encerrou. É hora do adeus ao ano de 2017 e logo seus acontecimentos bons e ruins estarão adormecidos. Perdemos entes queridos que nos deixaram saudades, muitos sonhos também ficaram pelo caminho, mas alcançá-los todos de uma só vez não seria razoável, já que eles são combustíveis que impulsionam nossas vidas.

    O fim de um ano simboliza o final de um período, onde suportamos tristezas, perdas e decepções, contudo, também vivenciamos grandes vitórias. Quando da dor, tivemos a lembrança dos ensinamentos de Emmanuel: “Não bastará sofrer. É preciso aproveitar o concurso da dor, convertendo-a em roteiro de luz. A esperança é a filha dileta da Fé. Ambas estão, uma para a outra, como a luz reflexa dos planetas está para a luz central e positiva do sol”.

    É difícil, mas é forçoso afirmar que nunca se falou tanto sobre desarmonia familiar, drogas, corrupção, desequilíbrio e mudança na natureza. Deus nos ensinou o caminho do bem, mas se preferimos caminhar por outras veredas, inclusive da destruição da natureza, então, irracionalmente estamos destruindo a nossa própria existência. 2017 foi um ano como os outros, de desastres, perdas e desencantos, mas que serviram e servem para mostrar o caminho correto a ser seguido.

    Não podemos negar que vivemos momentos de alegria e novas amizades. Tudo serviu para renovarmos a fé, a esperança e o amor. Devemos ser como os sábios: que compreendem as incompreensões, que entendem e sabem conviver com os desentendimentos, e que na escuridão do materialismo acendem a luz espiritual para guiá-los ao encontro da paz.

    Adeus 2017, que venha 2018 e com ele a consciência de que com solidariedade e fé teremos condições de mudar e abraçarmos a paz. Que Deus tenha paciência e continue a iluminar o homem!


  • "O Rio Doce"

    Publicado em 16/11/2017

    As águas límpidas do Rio Doce sempre levaram vida e sublimes encantos ao olhos dos homens, pois a cada amanhecer a mata acordava com a sinfonia dos pássaros e sob a energia dos raios solares, que rasgando a madruga iluminava os céus, conduzindo pescadores em busca de peixes, gado mugindo esperando ser levado ao pasto, enquanto a correnteza das águas percorriam vales e serras até seu encontro com o oceano.

    Mas em 2015 o rompimento da barragem de Samarco, no Município de Mariana, Minas Gerais, transformou a beleza em tristeza. A lama tóxica da inconsequência, naquela oportunidade, desceu engolindo homens, animais, peixes, fauna e flora. A barrenta e assassina água percorreu mais de oitocentos quilômetros, de Mariana até a foz do rio em Linhares-ES, despejando no mar toda a impureza provocada pelo homem.

    Passado todo esse tempo, nada de concreto foi feito para a recomposição dos estragos causados na natureza e na vida dos cidadãos que perderam seus familiares, casas, animais e seus sonhos.

    Das matérias jornalísticas sobre o fato, se observa que há uma mão dupla nisso tudo. Com a tragédia, as vítimas receberam apoio de todo o país e até mesmo do exterior no tocante ao fornecimento de roupas, água, medicamentos e acomodações provisórias, numa demonstração de que ainda existe solidariedade.

    De outro lado, as medidas que dependem do poder público e da própria empresa Samarco ainda andam em passos de tartarugas. Desnorteada a população atingida vive entregue a própria sorte. Lamentavelmente no Brasil é assim, descaso e inconsequência predominam em assuntos desse porte. É preciso ações efetivas para iniciar a recomposição não só da biodiversidade aquática, mas de todos os aspectos afetados. Cadê vocês autoridades competentes?