Radio Liberdade

Pombal, 29 de abril de 2017 - 12:32

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "O homem e a transposição"

    Publicado em 07/04/2017

    No ano de 2008 escrevi um texto intitulado “Água! Água?”. Falei sobre a água e a humanidade. Falei da sonhada transposição do São Francisco e as dificuldades do projeto sair do papel, além de ter questionado se o problema era realmente a falta de água.

    Ponderei que passava o tempo, mudavam os homens, mas as ações perduravam. Seguiam os atos de destruição dos mananciais de água, a poluição tornando-a imprestável ao consumo humano, além de matar peixes e comprometer o mundo aquático.

    A seca, sempre que mostra sua face desenha pranto e desespero. Desde do Século XIX que o nordestino sonha com a transposição do Velho Chico. Ela chegou, as águas banham as terras áridas da Paraíba, enchendo rios, açudes e barragens. Renova a fé do povo que tanto esperou por esse dia.

    Mas, é importante registrar que a miséria da estiagem era transformada na maledicente indústria da seca, onde políticos se aproveitavam para construir currais eleitorais. Com a transposição, um ponto de semelhança entre o passado e o presente apresenta-se, é a inaceitável indústria do voto, como se o povo continuasse sendo massa de manobra. Assistimos nos últimos dias a cidade de Monteiro receber políticos e políticos, fazendo festas e anunciando serem detentores do grande feito.

    Mas o importante é que água chegou. Agora, é saber como vai ser utilizada, pois na minha terra Pombal passa o Rio Piranhas que segue perene para Açu-RN e as águas não são até hoje corretamente aproveitadas. Ou o homem muda, ou nada mudará. Espero a água lave a corrupção, a indústria do voto, sepulte a seca e promova significativo desenvolvimento sustentável.

    Se assim não for, a água não era o problema. Sou da esperança e da fé em dias melhores!


  • "Felicidade"

    Publicado em 03/04/2017

    O homem conduzido pela insatisfação reclama de tudo e questiona o sucesso dos semelhantes. Cada vez mais se alimenta da ostentação, como se esta fosse residência da felicidade.

    Nada que possui lhe satisfaz. Sempre está procurando algo a mais, como se esse mais fosse o pó mágico da felicidade. Culturalmente, o ser humano desde o nascimento recebe ensinamentos e orientações para viver em busca de sonhos voltados para o ter.

    É o viver em uma mansão, em um apartamento de cobertura, ter um supercarro, um grande barco e por aí vai. E quanto mais tem, mais consome e não se satisfaz. Adquire algo, mas passados alguns meses ou alguns anos, já se destinam a investirem na troca desses bens por outros de maior porte.

    É um mundo de ostentação. Infelizmente até a música brasileira foi contaminada por esse comportamento no mínimo obnubilado. Levados por um perverso consumismo que conta com o apoio da grande mídia, jovens aparecem em todos os tipos de redes sociais e meios de comunicação, e, sob o ritmo do funk ou outro qualquer, massificam ostensivamente a ideia de que a felicidade reside no possuir graduados bens materiais.

    Dificilmente encontramos comunidades que promovem uma orientação aos seus jovens direcionada para a importância do caráter espiritual de nossa existência, ao tempo em que planta também a consciência de que o aspecto materialista deve ser encarado apenas como forma de nos permitir um viver com dignidade no trajeto de nossa passagem por esse mundo terra.

    É preciso lembrar o pensamento de Cora Coralina, que costumava dizer: “Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”.

    O caminhar pela vida é sempre repleto de pedras, mas também de jardins com belas flores. Quando semeamos o bem, plantamos no coração dos nossos irmãos o viver sob o equilíbrio da simplicidade, da fé e do amor, daí a certeza de, indubitavelmente, termos sim a capacidade de transpormos as pedras e no final, sentirmos o perfume inebriante da sossegada paz, que emerge como prêmio dos jardins da alma.


  • "Que mundo é esse?"

    Publicado em 10/03/2017

    O homem com sua visão egocêntrica, costuma julgar seus semelhantes sem antes de tudo se colocar do outro lado, para assim, fazer uma avaliação com maior equidade e prudência da situação, objeto do seu olhar.

    O outro lado da moeda dificilmente é vestido por quem se acha no direito de criticar e julgar. É mais fácil atirar pedras e levianamente promover uma erupção de falas levianas. O risco é que agindo assim pode-se, sem se possibilitar defesa, condenar um inocente, afundando-o em um poço profundo, de onde inevitavelmente o apedrejado terá enorme dificuldade para conseguir se levantar novamente.

    Não compreendo por que depois de tantas eras, o homem não tenha evoluído quase nada nesse aspecto espiritual. Continua agressor, opressor, ditador, cruel, egoísta e aniquilador. Não é pensamento negativista, mas uma realidade que constatamos todos os dias, pois basta olharmos para a situação lastimável dos nossos irmãos da Síria, Iraque, Somália e de uma boa parte dos países do continente Africano.

    E o Brasil? A criminalidade gerou uma insegurança preocupante. É uma frieza que assusta, pois é como se o crime tivesse virado algo banal. No ar o desrespeito generalizado, um ultraje com o escopo de quebra de autoridade.

    É preciso que o homem pare e faça uma viagem ao seu âmago. Reflita e veja que a felicidade não está nesse desenfreado consumismo material, na busca insana por poder e de ver dinheiro como deus. A paz que nos torna feliz é resultante da compreensão de que, em termos materiais, basta ter o suficiente para a caminhada da vida, somado a atitude voltada para a solidariedade e a comunhão com Deus.