Radio Liberdade

Pombal, 26 de July de 2016 - 01:26

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Sob o medo e o abandono"

    Publicado em Feb 6, 2016

    A Rua da República, no Bairro do Varadouro, é, inegavelmente, uma das ruas mais antigas da capital paraibana. Ali, encontramos a Praça do Trabalho, hoje mais conhecida como a "Praça da Pedra", onde um monolítico de aproximadamente dois mil quilos, trazido de trem, no ano de 1932, do município de Bananeiras-PB. Foi ali colocado para homenagear o Presidente João Pessoa, sendo um patrimônio e um símbolo histórico da cidade.

    Em tempos idos, quem chegava em João Pessoa, de ônibus, tinha que passar pela Rua da República, para ter acesso à antiga Estação Rodoviária, logradouro que abrigou a antiga fábrica Matarazzo e as casas onde morava boa parte de seus operários. Rua de muitas residências e incrível diversidade de lojas comerciais. Muitos costumam dizer que na República de tudo se encontra para comprar, e com bom preço.

    Mas o tempo passou. Quem sai da cidade baixa para o centro de João Pessoa, sobe contemplando a fábrica fechada, abandonada, além de visualizar seus casarios antigos, muitos desgastados pelo tempo, pela inércia e/ou pela ação do homem. Se vê inúmeras lojas comerciais, que lutam contra a impiedosa crise que assola o país, agravada pelo abandono e medo.

    Quem por ali vive, trabalha ou transita, fica perplexo por assistir a cenas impactantes. De segunda a sexta-feira, a região amanhece com mulheres e homens, zumbis, jogados pelas calçadas, ou cambaleando, exaustos, pelo leito da rua. A prostituição reina no local. Sob o sol, eles começam a sair de cena, mas alguns ficam por ali. Quando a tarde cai, já depois das 16, é hora dos comerciantes fecharem as lojas e dos moradores se recolherem para suas casas, pois a prostituição e droga voltam a ditar o medo. Os zumbis disputam e consomem substâncias entorpecentes, além se prostituírem em plena via pública. Nos domingos, a rua é de desventura, uma verdadeira calamidade.

    Uma tragédia com cenas tristes e não menos chocantes, que se repetem diariamente. O incrível é que todo mundo sabe disso, mas ninguém toma providências para resolver a situação. Sob o abandono e o medo, a centenária Rua da República pede socorro. Clama por ações que acabem com o crime e o sofrimento ali reinantes. Não há desculpa. É preciso agir. E logo.


  • "Liberdade"

    Publicado em Jul 5, 2016

    Podemos afirmar que liberdade significa o direito que temos de caminhar e proceder na vida conforme nos pareça adequado e nos conduza pelas veredas da felicidade.

    O que se observa, contudo, é que muitos falam em liberdade, mas esquecem de que esse sublime direito obedece também a limites, pois a liberdade deve ser exercida até que não vá de encontro ao direito de outrem.

    No norte desse conceito, Leon Tolstoi costumava afirmar que “não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”. Nélson Mandela, que, por muitos anos, ficou encarcerado, lutando pela liberdade de seu povo, mesmo sob as dores e solidão do cárcere, dizia que: “Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros”.

    A compreensão desses aspectos acima suscitados nos remete a verificar que muitos falam de liberdade como se ela autorizasse a prática de todo e qualquer tipo de ato. Isso não é liberdade. É egoísmo. A liberdade pressupõe leveza, portanto, não se coaduna com ações que provoquem dores aos semelhantes. Liberdade é prima do amor e irmã da verdade, por isso, é preciso que tenhamos cuidado quando tratamos do tema.

    O certo é que, às vezes, alguém que se imagina um vivenciador da liberdade, não passa, em verdade, de um prisioneiro envolvido por grades invisíveis. Não era à toa que Mahatma Gandhi nos apontava que a liberdade era uma questão de consciência, ilustrando que: “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livre na prisão”.

    É preciso separar o egocentrismo da liberdade, pois é inadmissível que o homem vulgarize ou banalize a liberdade só para alcançar objetivos, muitas vezes espúrios, apenas para a satisfação do intuito de continuar a alimentar a glória de seus próprios desejos, mesmo atingindo e malferindo semelhantes.

    Outro ponto diz respeito ao fato de que, hoje, tentam confundir liberdade com libertinagem. São coisas bem distintas. Quem busca entrelaçar esses aspectos é movido por propósitos promíscuos, que, no mais das vezes, colocam em risco estruturas necessárias para o bom funcionamento da sociedade.

    Viva a liberdade que propague paz, amor e a fé em Deus.


  • "Será que preferimos, costumamos servir ou de ser servido?"

    Publicado em Jan 4, 2016

    Paremos um pouco para refletir sobre nossas ações. Será que preferimos, costumamos e temos em nós o prazer de servir ou de ser servido?

    Não precisa muito esforço para se constatar que uma esmagadora maioria dos homens adoram ser servidos. Além do mais, outra boa parte da humanidade também adora não servir a ninguém, pois vivem sob o culto do egocentrismo.

    É visível que muitos que se colocam como conhecedores e até se intitulam como praticantes da palavra de Deus, mesmo assim, no exercício de suas atitudes terminam, na prática, não servindo aos seus semelhantes, mesmo sabendo que servir é uma atitude que muito agrada a Deus, primordialmente, quando o servir vem descompromissado do intuito de obtenção de algo que lhe favoreça. É preciso servir sem o interesse de retorno. Quem assim age cresce e se fortalece perante Deus.

    Mahatma Gandhi costumava afirmar que: "Quem não vive para servir, não serve para viver". É dura a frase. Mas os egoístas realmente não vivem, são escravos do materialismo e do ilusório pensar que são eternos. Pobres seres! Devemos lembrar que Jesus veio ao mundo não para dar ordens, mas para servir com humildade e amor. Na Bíblia, em Mateus 23:11, encontramos o ensinamento de que: "O maior entre vocês deverá ser o servo". Já Lucas 22:27 aponta que: "Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve".

    É fácil compreender esse ensinamento Divino. Incompreensível é verificar que mesmo sendo simples e inteligível, o homem resiste em não praticar o servir. O amigo Júnior Cavalcanti ponderou: "Servir ainda é uma incógnita ao ser humano. Para muitos ser servido ainda é a melhor escolha". Realmente é uma triste verdade que tem levado a humanidade à desertos e esquinas egoístas, profundamente ligadas ao caos, ao trágico e ao desamor.

    Servir é luz que nos permite a paz espiritual e que demonstra que a força do poder e do dinheiro deve ser revertida para atender aos anseios dos necessitados.