Radio Liberdade

Pombal, 16 de janeiro de 2018 - 07:20

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Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho)

Coluna Atualidades por Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho)

Artigos por Francisco Jarismar (Mazinho)



  • NOVO ARTIGO: “Do descontentamento à evolução política”

    Publicado em 15/01/2018

    "Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam". (Platão)

    Sábio Platão. Ainda mais quando somamos à sua fala uma constatação de Oscar Wilde ao anunciar que “o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.” Isso nos leva a crer que estes dois fachos de luz nos revelam o estado de fervura evolutiva que vivenciamos nós, brasileiros.

    2018 inicia como um ano de grandes decisões. Momentos em que poderemos delegar mais ou menos ventura para o futuro da nação. Teremos eleições para os cargos majoritários, assembléias estaduais e congresso nacional e com ela a oportunidade singular de nos soerguermos do tropeço.

    Mas, tudo deve ser trabalhado com muita atenção, sobriedade, inteligência, determinação e coragem, muita coragem. Afinal, esse será o nosso momento dentro do processo político-partidário. O único intervalo - nas sombras em que nos envolvemos - onde teremos a luz nas mãos.

    Alentemos a atenção, para não nos deixarmos manipular pela mídia e seu falso compromisso com a democracia em nosso país. Cuidemos em não nos restringirmos a uma única fonte de informações e a partir dela direcionarmos o nosso voto.

    Atenção para os falsos salvadores da pátria. Não existem! O messianismo político é um dos maiores dramas desse país. Por ele, o caos foi instalando-se paulatinamente com a colaboração de todos nós a cada eleição. Creiamos que a alternativa, e responsabilidade, da redenção recaem sobre os seus patrocinadores diretos, ou seja, todos nós.

    Cultivemos a sobriedade, não nos permitindo embriagar pela disseminação do ódio a esse ou aquele partido; a essa ou aquela personalidade. Lembremos que esse sentimento é uma paixão que conduz ao mal que se faz ou se deseja a outrem. E raiva, ira e rancor violento nunca foram soluções para nenhum conflito, pelo contrário, só agravam ainda mais um quadro enfermiço, quando não descambam para a anarquia ou o sangue derramado.

    Cultuemos a inteligência em não alimentar, nem incitar o ódio. Assim, nos desvencilhamos da cegueira do fobismo e atuamos com mais lógica e raciocínio sobre o real e factível dentro da legalidade. Propaguemos opções que resultem em benefícios coletivos e não no massacre de um lado sobre outro. Afinal, somos todos filhos da mesma pátria mãe gentil e fomentar o cissionismo social é antipatriótico.

    Agucemos a determinação, para acreditar que temos todas as ferramentas necessárias para rearranjar nossa moral cívica e política para o rumo certo. Não esmoreçamos, nem nos deixemos quebrantar pelo pessimismo. Ainda somos uma nação jovem e com muito a aprender. Não se transplanta modelos sociais ou econômicos de uma nação para outra. Cada povo vive e faz sua história pelo seu próprio aprendizado. Somos timoneiros do futuro do Brasil.

    Precisaremos de coragem (e muita!), para não ceder ao egocentrismo que se apropria da verdade; ao radicalismo que não enxerga no outro uma possibilidade; à indiferença não reconhecendo que os problemas são públicos; à intolerância que deságua no mar da violência e afoga a todos.

    João Batista Figueiredo, nosso trigésimo presidente e último do regime militar, nos disse certa vez que “um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar”. Quero acreditar que nossas cáries diminuíram e a assim como já aprendemos a boa escovação dos dentes vamos escovar, também, as urnas.

    Por fim, mais coragem transmutada na lucidez de compreender que não sou eu, nem você que vai resolver tudo sozinho, que essa nação precisa de todos nós, juntos, unidos a lhe prestar o clamado socorro no dia 3 de outubro!


  • “As primeiras sombras de 2018”

    Publicado em 08/01/2018

    "Deus que me conceda esses últimos desejos — Paz e Prosperidade para o Brasil." (D. Pedro II)

    As dificuldades de 2017 não ficaram para trás. Uma mudança no calendário nunca foi, nem será, suficiente para impactar qualquer aprimoramento significativo no homem, tampouco na sociedade. As modificações coletivas são frutos, historicamente grafados, da reforma íntima de cada um de nós. Eis o desafio nosso de cada dia. Não só para 2018, mas para toda a vida.

    2017 foi um ano penoso de se viver. Uma estiagem que se prolonga por meia década, generalizando o sofrimento sobre os homens, os animais e também escancarando o descaso e a inoperância dos nossos gestores.

    Nada de efetivo foi feito até o presente restando a Deus, mais uma vez, o compromisso das chuvas. Abaixo das nuvens vivemos em um colapso hídrico anunciado: a maior seca dos últimos 100 anos.

    Não obstante o desespero da seca, vivemos sob um governo que assola o país e seus trabalhadores com reformas desestabilizadores de qualquer garantia social. A aprovação da Lei de Terceirização Ampla e da Reforma Trabalhista jogaram por terra qualquer dignidade conquistada pelo trabalhador brasileiro em mais de meio século.

    Trocar a honradez de um salário fixo, direitos previdenciários e estabilidade pela migalha de algumas horas terceirizadas, não me pareceu um bom negócio para o trabalhador assalariado, já para os empregadores foi um gracejo e tanto.

    O governo federal e o Congresso Nacional trabalharam ferozmente na redução da segurança dos trabalhadores, sob o pretexto de garantir crescimento econômico. Uma recuperação financeira que fecha os olhos e abafa qualquer taxação de dividendos sobre as fortunas, grandes heranças e aumento de imposto de renda dos mais ricos.

    Que promove a isenção tributária sobre grandes petrolíferas que estão se instalando no Brasil; perdão de dívidas dos grandes latifúndios; venda do patrimônio e território nacional, além de setores estratégicos como o de energia elétrica.

    Para nós, restou um aumento de 14% na tarifa de energia, com mais 9% previsto para o início de 2018. A duplicação do preço do botijão e combustíveis em apenas 18 meses. Herdamos também o congelamento do teto dos gastos públicos com saúde, educação e segurança por vinte anos. Ou seja, nenhum dos próximos quatro presidentes poderá realizar qualquer gasto a mais do legislado para as próximas duas décadas.

    Sem alarde, mas acho que muitos de nós retornaremos ao fogão de lenha, à luz de velas e retomaremos as velhas caminhadas a pé e aos passeios de bicicleta. Até onde chegamos e para onde vamos? Me recuso a qualquer antevisão para as futuras gerações, mesmo não tendo este poder.

    É tudo muito temeroso de imaginar. A começar pelos R$ 17,00 de aumento do salário mínimo, ou seja, 1,81% (Galopamos de volta para 1994!). Eis o primeiro sorriso sarcástico de 2018 para todos nós.

    A triste realidade é que uma trupe do mal surrupiou a democracia, instalou-se no país e insiste em implementar um programa que jamais sobreviveria as urnas. Aos mais ricos todos os benefícios, concessões, anistias, perdões e isenções; aos trabalhadores a conta da inflação, arrocho salarial, desemprego, perda de direitos e a volta ao mapa da fome.

    Contudo, há os que dizem que a vida está pior e outros que acham que é melhor assim! Mas fiquemos com os que acreditam que o brasileiro não desiste nunca. Nós vergamos mais não quebramos! Já foi dito.

    Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho)
    Licenciado em História pela UFPB
    Servidor Público Federal do IFPB


  • “O intangível tempo”

    Publicado em 02/01/2018

    "Não se iludam. Não me iludo. Tudo agora mesmo pode estar por um segundo..." (Tempo Rei – Gilberto Gil)

    Falar sobre o tempo é refletir sobre os sinônimos perfeitos: nunca e sempre. A nossa relação com ele sempre foi construída em meio ao temor, a angústia, a impotência em um eterno estado de suposições. Esse guardião invisível, abstrato, que não nos dá cabimento, porém não se afasta de nós.

    Esse algoz a nos perturbar desde os primórdios e para o qual rendemos homenageamos em nossos extremos cronológicos. Soberano, imperioso, ilusório, místico, fantasioso, indiferente, transcendente e atemporal. Ei-lo.

    Desde que aqui chegamos e nos facultou o raciocínio, na sua sombra nos debruçamos a elaborar as mais fantásticas aventuras para desvendá-lo, contá-lo, dividi-lo em quantos pedaços pudermos na tentativa de cativar algum domínio sobre a sua metafísica.

    Nos apropriamos de míseras partículas do seu imensurável todo quando estabelecemos os tempos cronológicos com seus relógios e calendários; nos tempos geológicos e suas mudanças na face terrestre e, ainda, no tempo histórico e as mudanças provocadas pela ação dos homens nas sociedades.

    Muitas são as nossas versões para delimitá-lo. Para os judeus tudo começou a seis mil anos com a criação do universo. Já para os muçulmanos o ano da fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, dá início a contagem do tempo. Os cristãos e a sua popularidade no ocidente demarcaram o nascimento do Cristo como o ponto de partida da história e estabeleceram um tempo mais amplo com o antes de Cristo (a.C.) e o depois de Cristo (d.C.).

    Para os maias, astecas, incas e outros povos pré-colombianos da América o tempo era um ciclo, uma repetição eterna. Este conceito se avizinha da ciência quando sir Isaac Newton, no século XVII, discorreu sobre um tempo “absoluto, verdadeiro e matemático, que transcorre uniformemente”. Ao que acrescentou Albert Einstein, já no século passado: “- Para nós, físicos presunçosos, passado, presente e futuro são apenas ilusões”.

    Todo esse tracejar de notas sobre o tempo é para nos levar a uma simples reflexão: o tempo nos pertence enquanto aproveitamos o ensejo para fazer acontecer. Deixar para depois aquele abraço é endereçá-lo a um tempo sem direção conhecida e sem retorno possível. O tempo é agora, está aqui e não faz aniversário, não envelhece. Se não é o absoluto de Newton, nem o relativo de Einstein é o eterno e ininterrupto para todos nós.

    Sejamos generosos no carpe diem. Não deixemos para daqui a pouco o que podemos fazer já. O ontem e o amanhã são rotas incognoscíveis, pois pertencem ao tempo, nunca a nós. Já o presente, este, sim, é nosso. Podemos plantar nele o que bem quisermos. E é esse o nosso único elo com o tempo – o agora. Mario Quintana, no poema O Tempo, lamenta: “- Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.” Para não perder tempo! Arremato.

    Ame, grite, abrace, beije e viva intensamente cada instante. Não espere que uma simples mudança de ano cronológico venha a mudar sua vida. Você está no comando e pode mudar cada segundo de sua vida a despeito do tempo. Portanto, repito com Carl Sagan: “- Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

    Feliz vida! Feliz hoje!! Feliz agora!!!