Radio Liberdade

Pombal, 28 de junho de 2017 - 07:41

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Por um triz"

    Publicado em 12/06/2017

    Existem situações que acreditamos só existirem em filmes. Na verdade as cenas exibidas nas telas dos cinemas, em sua grande parte, são inspiradas na vida real.

    Eu já assisti filme, onde dois aviões se chocaram no ar, episódio que num passado não muito distante, a realidade nos provou possível, pois basta lembrar do acidente aéreo ocorrido no dia 29 de setembro de 2006, quando um boeing da Gol bateu no ar em um jato Legacy caiu ao Norte de Cuiabá, matando 154 pessoas que estavam a bordo.

    Também já vi filme exibindo dois aviões que por pouco não se chocaram no ar. Confesso que ao visualizar tal cena, de inacreditável situação, até comentei: “Que filme mentiroso!”.

    Se arte imita a vida, a vida às vezes nos mostra que tudo é possível. Em janeiro de 2017, saí de Lisboa para Recife. Acomodei-me numa poltrona junto a uma das janelas da aeronave. O avião decolou, ganhou altitude de cruzeiro, estabilizou e seguiu sua rota. Num dado instante, o avião bruscamente despencou em queda livre.

    Coisas de segundo, mas logo estabilizou. Olhei para fora do avião. Para surpresa, em nossa direção, rapidamente, se aproximava outro avião. Tremi nas bases. Pensei num choque fatal. Abruptamente, nosso avião despencou novamente em queda livre, evitando por um triz a coalisão mortal.

    Ouvi os demais passageiros indagarem o que tinha ocorrido, mas nada foi dito. Fiquei em silêncio. Quando desembarcamos, então, relatei o fato aos que comigo viajavam. Por um triz escapamos. Deus nos protegeu!


  • "O eterno abismo"

    Publicado em 05/06/2017

    A história não mente. O homem vive eternamente em conflitos e guerras. Motivos não faltam, pelo contrário até constroem guerra em nome da paz.

    Entre o céu e a terra já passaram inúmeras situações que demonstram a face cruel dos tiranos, que imaginando-se imortais, praticaram barbáries, trucidando povos em nome da expansão territorial, da conquista de riquezas, enfim, na verdade tudo em nome do poder pelo poder. Muda apenas a nomenclatura do todo poderoso, pois a história humana relata atrocidades cometidas por faróis, imperadores, czares, reis, presidentes, etc.

    Século a século encontramos páginas selvagens e de brutalidades inimagináveis perpetradas pelo homem, apesar de se considerar inteligente. O que nos deixa perplexo, é que essa conduta beligerante do homem não tem freio.

    É notório que do Século XX para cá, o tempo tem demonstrado uma evolução em muitas áreas, jamais encontrada em qualquer outro ponto da história. Apesar dessa evolução tecnológica ter proporcionado uma melhoria da vida na terra, estranhamente, o homem continua a mesma besta de sempre.

    A tecnologia é hoje empregada eficientemente no avanço da indústria, da comunicação, dos transportes, da medicina, da astronomia, na seara jurídica, contudo, também vem, inaceitavelmente, com muita força, sendo usada para aperfeiçoamento de mecanismos que fomentam ainda mais guerras e conflitos. O poder de destruição hoje é algo assustador.

    Mas, há uma diferença do passado para o momento atual. Antes, as armas não colocavam em risco o planeta e a própria existência da humanidade. Hoje elas são capazes de destruir tudo. O homem parece que gosta de eternamente viver a um passo do abismo final. Que Deus nos proteja!


  • "O médico e a tempestade"

    Publicado em 15/05/2017

    Num entardecer de março de 1948, meu pai, Antônio Queiroga, que morava em Pombal, na casa de sua irmã Marly, sentado na calçada, conversava com o irmão Avelino.

    Conversa vai, conversa vem, o relâmpago começou a cortar os céus. Marly, então, disse: - “Vem muita chuva. É melhor entrar”.

    Meu pai e Avelino foram dormir no primeiro quarto. Armaram as redes e perceberam que a chuva começou a cair forte. Relâmpagos, seguidos de muitos trovões. Num dado momento, um relâmpago clareou, demoradamente, todo o céu. Antônio e Avelino esperaram o trovão, na certeza de que ele seria enorme.

    Passaram alguns minutos e nada do trovão. Foi quando abruptamente uma sequência de estrondos apocalípticos quebrou o silêncio da noite, sacudindo, com uma força equivalente à de um terremoto, toda a cidade de Pombal.

    Em seguida, um silêncio sepulcral, que foi quebrado pelos gritos de alguém desesperado, vindos da porta de entrada da casa de Marly, chamando: - “Dr. Avelino! Dr. Avelino! Nos socorra pelo amor de Deus!

    Avelino, levantou-se e atendendo o chamado médico, com seu irmão Antônio, foi até a casa de Chico Galego, socorrer a sogra do mesmo. Lá chegando constatou o óbito da aludida senhora, vitimada de um infarto fulminante no momento do terrível trovão.

    Dali seguiu para a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, onde o sacristão Carlos estava desmaiado, pois no instante do imenso relâmpago sofreu uma descarga elétrica enorme. Por sorte o mesmo sobreviveu. Já saíam da igreja quando tiveram que ir ao Circo Nerino. O trapezista sofrera também uma descarga elétrica e veio a desmaiar. Graças a Deus não morreu.

    Entre relâmpagos e trovões o sertão viveu uma noite de horror!