Radio Liberdade

Pombal, 11 de dezembro de 2016 - 07:57

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "A terra da poesia"

    Publicado em 29/11/2016

    Da terra onde ergueu-se a Capela de Nossa Senhora das Dores, surgiu a Povoação da Lagoa, que depois chamou-se Alagoa do Monteiro e que hoje é bela Monteiro, cidade da poesia e do forró.

    Nas margens do Rio Paraíba, esse lugar de fazendeiros e criadores de gado, teve em seu fértil solo a vocação de germinar o alimento maior d'alma, a poesia. Da Carnaubinha veio o grande poeta Pinto de Monteiro. E como diz Beto Brito, todos querem aprender a tocar o pife de Zabé da Loca. Monteiro é terra do forró, dos Tropicais, da Banda Magníficos, da sanfona de Djinha e do inimitável Flávio José.

    É sempre bom ouvir a sensibilidade das canções de Nanado Alves, mas não podemos esquecer a viagem poética daquele descendente da Fazenda Angico. Falo desse simples e inolvidável Ilmar Cavalcante, que consegue pegar carona na saudade e descrever lembranças doces que povoam seu âmago.

    Canta a saudade do Angico de seus avós, desenhando um velho cachimbando, compromisso nem pensar. E fala do engenho, da liberdade contemplando tanto sonho, do cheiro do café solto no ar e do balde de lata agoando a verde planta.

    Dinheiro nunca me presenteou amigo, mas a poesia sempre tem me levado para o encontro de seres iluminados, detentores de coração e alma que transcendem a paz. Só quem é do mato, que traz consigo as dores da lida do campo e ao mesmo tempo a feliz liberdade da vida mansa de um balançar de rede, consegue rabiscar e projetar para o mundo os encantos poéticos da travessia desse tempo chamado vida.

    Como você diz Ilmar, “o tempo muda tudo, mas pra mim isso não passa. Nada ficou de graça e em meu peito deu um nó. Guardei tudo comigo e também não tem quem faça eu esquecer um pouco meu avô e minha avó”. Deus guarde os poetas!


  • "O muro Trump"

    Publicado em 17/11/2016

    O bilionário Donald Trump sem nenhuma vivência política, contra muitos do seu próprio partido, indesejado pela maioria dos lideres mundiais, rompeu todos os prognósticos e venceu a eleição dos EUA, tornando-se o novo presidente da maior potência deste planeta.

    Com um perfil impulsivo, promete vigiar mesquitas, combater radicalmente os mulçumanos, além de defender a tortura de suspeitos de terrorismo. Anuncia que imporá condições à China, exigindo melhores condições de trabalho e políticas ambientais mais efetivas, sob pena de romper comercialmente com o gigante asiático. Contraditoriamente, fala que as mudanças climáticas constituem “mito”.

    Trump, ainda, defende a indústria armamentista e avisa que baixará impostos. Prega que deportaria cerca de 11 milhões de imigrantes, como também anuncia que erguerá um muro separando os EUA e o México.

    Os muros isolam, não proporcionam o diálogo. Quantas muralhas já não foram levantadas pelo homem e a história tem demonstrado o equívoco de tais ações. Não faz muito tempo que o muro de Berlim foi ao chão. Agora vem o muro Trump, ferindo a liberdade tão decantada pelos americanos. Os 13 bilhões de dólares que serão gastos no muro, mataria a fome de muita gente por esse mundo afora.

    Mas bilionários não entendem de fome, não sabem o que miséria e abandono. Sob o ideal do capitalismo selvagem preocupam-se com a multiplicação, não de pães, mas de suas fortunas.

    O mundo aguarda com preocupação as cenas do próximo capítulo. Deus permita que o equívoco prevaleça e Trump seja diferente do que se anuncia. Sonhamos por um mundo sem fome e de paz!


  • "Construindo pontes"

    Publicado em 11/11/2016

    Não sou afeito a construção de muros. Gosto na verdade de erguer pontes.

    Os muros deixam uma falsa ideia de segurança. Na verdade levam o homem para o isolamento, enclausuramento e a solidão. Entre muros o homem vive sob a égide do medo. É aquela história, com uma visão equivocada, o homem constrói muros e se isola, tornando-se cada vez mais solitário, violente, tétrico e confuso.

    O muro, quando é de pedra e cal, torna-se visível e mais fácil de ser derrubado. Agora, quando é construído psiquicamente, torna-se difícil de ser levado ao chão, pois não é fácil lutar contra algo invisível. Numa civilização cada vez mais competitiva, sórdida, solitária, incrédula e repleta de desconfiança, os muros estão cada vez mais crescentes, primordialmente, os invisíveis.

    O incrível é que existem uma infinidade de seres humanos que passam por esse planete Terra apenas com a visão de construção de muros, numa total perda de tempo, enquanto poucos se dedicam a construir pontes.

    Os que levam o tempo a levantar muros são seres que carregam o medo no seu próprio existir. A humanidade precisa, urgentemente, derrubar os muros que circundam sua existência.

    Tais muros são filhos a ganância, da luxuria, da inveja e da desconfiança reinante nos dias atuais. Quantas vezes precisamos transpor, no dia-a-dia, olhares infiéis, sorrisos aleivosos e falas travestidas, seja no âmbito familiar, profissional, ou mesmo no social.

    Se os muros nos afastam, as pontes nos interligam, permitindo que, independentemente, de sua religião, de seu país e de sua cor, possam os homens caminhar em harmonia pelos jardins da paz, abraçando a fraternidade e repousando o espírito nas plumas do amor.

    Que Deus não nos abandone, esteja sempre conosco!