Radio Liberdade

Pombal, 24 de May de 2016 - 08:39

Publicidade



Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Liberdade"

    Publicado em Jul 5, 2016

    Podemos afirmar que liberdade significa o direito que temos de caminhar e proceder na vida conforme nos pareça adequado e nos conduza pelas veredas da felicidade.

    O que se observa, contudo, é que muitos falam em liberdade, mas esquecem de que esse sublime direito obedece também a limites, pois a liberdade deve ser exercida até que não vá de encontro ao direito de outrem.

    No norte desse conceito, Leon Tolstoi costumava afirmar que “não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”. Nélson Mandela, que, por muitos anos, ficou encarcerado, lutando pela liberdade de seu povo, mesmo sob as dores e solidão do cárcere, dizia que: “Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros”.

    A compreensão desses aspectos acima suscitados nos remete a verificar que muitos falam de liberdade como se ela autorizasse a prática de todo e qualquer tipo de ato. Isso não é liberdade. É egoísmo. A liberdade pressupõe leveza, portanto, não se coaduna com ações que provoquem dores aos semelhantes. Liberdade é prima do amor e irmã da verdade, por isso, é preciso que tenhamos cuidado quando tratamos do tema.

    O certo é que, às vezes, alguém que se imagina um vivenciador da liberdade, não passa, em verdade, de um prisioneiro envolvido por grades invisíveis. Não era à toa que Mahatma Gandhi nos apontava que a liberdade era uma questão de consciência, ilustrando que: “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livre na prisão”.

    É preciso separar o egocentrismo da liberdade, pois é inadmissível que o homem vulgarize ou banalize a liberdade só para alcançar objetivos, muitas vezes espúrios, apenas para a satisfação do intuito de continuar a alimentar a glória de seus próprios desejos, mesmo atingindo e malferindo semelhantes.

    Outro ponto diz respeito ao fato de que, hoje, tentam confundir liberdade com libertinagem. São coisas bem distintas. Quem busca entrelaçar esses aspectos é movido por propósitos promíscuos, que, no mais das vezes, colocam em risco estruturas necessárias para o bom funcionamento da sociedade.

    Viva a liberdade que propague paz, amor e a fé em Deus.


  • "Será que preferimos, costumamos servir ou de ser servido?"

    Publicado em Jan 4, 2016

    Paremos um pouco para refletir sobre nossas ações. Será que preferimos, costumamos e temos em nós o prazer de servir ou de ser servido?

    Não precisa muito esforço para se constatar que uma esmagadora maioria dos homens adoram ser servidos. Além do mais, outra boa parte da humanidade também adora não servir a ninguém, pois vivem sob o culto do egocentrismo.

    É visível que muitos que se colocam como conhecedores e até se intitulam como praticantes da palavra de Deus, mesmo assim, no exercício de suas atitudes terminam, na prática, não servindo aos seus semelhantes, mesmo sabendo que servir é uma atitude que muito agrada a Deus, primordialmente, quando o servir vem descompromissado do intuito de obtenção de algo que lhe favoreça. É preciso servir sem o interesse de retorno. Quem assim age cresce e se fortalece perante Deus.

    Mahatma Gandhi costumava afirmar que: "Quem não vive para servir, não serve para viver". É dura a frase. Mas os egoístas realmente não vivem, são escravos do materialismo e do ilusório pensar que são eternos. Pobres seres! Devemos lembrar que Jesus veio ao mundo não para dar ordens, mas para servir com humildade e amor. Na Bíblia, em Mateus 23:11, encontramos o ensinamento de que: "O maior entre vocês deverá ser o servo". Já Lucas 22:27 aponta que: "Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve".

    É fácil compreender esse ensinamento Divino. Incompreensível é verificar que mesmo sendo simples e inteligível, o homem resiste em não praticar o servir. O amigo Júnior Cavalcanti ponderou: "Servir ainda é uma incógnita ao ser humano. Para muitos ser servido ainda é a melhor escolha". Realmente é uma triste verdade que tem levado a humanidade à desertos e esquinas egoístas, profundamente ligadas ao caos, ao trágico e ao desamor.

    Servir é luz que nos permite a paz espiritual e que demonstra que a força do poder e do dinheiro deve ser revertida para atender aos anseios dos necessitados.


  • "Banho de chuva no Sertão"

    Publicado em Jul 3, 2016

    Não há banho de chuveiro, de banheira, de piscina, de mar, de cachoeira, de açude, de rio e de riacho, que seja melhor do que um banho de chuva no sertão de meu Deus.

    Só quem é das plagas sertanejas sabe bem o que representa despedir a estiagem, que na curva da estrada faz seu caminho para o oco do mundo. Açoitada pelos relâmpagos cortando os céus e sob o som estremecedor dos trovões, a seca vai embora e o menino corre livre pelas veredas banhadas pelas chuvas. Ele vai parando em cada biqueira, molhando o corpo e lavando a alma. O moleque segue sem medo dos raios e banhando-se alegre nas águas da chuva mandada por Deus, corre feliz na amplidão do sertão.

    Um dia fui menino no sertão. A invernada me lembra bem esse momento já vivido. Quando a chuva chega logo me recordo desse tempo. Por muitas vezes, em tardes de chuvas, desci e subi as ruas da minha terra Pombal.

    Não adiantava ordens de pais ou de avós para ficar em casa, a molequeira ganhava as ruas. O banho de chuva nos atraía para o mundaréu d'água que caía fortemente do céu sertanejo. O banho de chuva era, e ainda é, um batismo para a felicidade, principalmente no sertão, que quando chove, veste-se do belo verde, contagiando-nos de esperança por dias melhores, a cada pingo que vem do céu

    Quando vi a notícia de chuva no sertão, me inquietei. Queria descer a Serra de Santa Luzia. Ir ao encontro da chuva e abraçando o sertão, deitar numa rede e da varanda ver o céu carregado de nuvens escuras despejar água naquele mundo todo. Queria ver os clarões dos relâmpagos, ouvir o ronco dos trovões e o som da sinfonia das águas batendo e escorrendo pelas telhas.

    Queria ver o voo da volta da Asa Branca descrito por Zé Dantas e cantado por Gonzagão. Queria sentir a poesia Zé Marcolino: “Pássaro Carão cantou / Anum chorou também / A chuva vem cair no meu sertão / Vi um sinal meu bem / Que me animou também / Ainda ontem vi cobra no chão / É bom inverno que vem...”

    Vou voltar ao sertão. Vou tomar banho de chuva, deixando-a que lave meu corpo e minha alma, renovando minhas energias, sonhos e fé em dias de paz e amor nesse mundo de desencontros.