Radio Liberdade

Pombal, 08 de February de 2016 - 05:49

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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "O silêncio da alegria"

    Publicado em Jan 29, 2016

    Guerras, desencontros, violência, fome, desamor e incredulidade. Qual o remédio para tanto sofrimento? A resposta está numa nascente perene chamada “humor”.

    Esse estado de ânimo que nos impulsiona na vida, regula a nossa saúde física e espiritual. Os humoristas, com suas charges, piadas e vídeos engraçados, contagiam os ambientes por onde passam.

    Com o vento cortante do humor, aniquilam a tristeza, fazem gracejos, pilhérias e, com seus trejeitos divertem o público. Palhaços de ontem, humoristas de hoje, são todos seres que plantam alegria, colhem sorrisos e disseminam a felicidade.

    É a medicina humoral dos antigos gregos que ainda hoje funciona. Quando estamos tristes, acometidos de uma macacoa, não há remédio melhor do que um show de humor. O espírito relaxa diante do intenso movimento físico e espiritual provocado pelas gargalhadas, que chegam até a transbordar lágrimas, que rolam pelo rosto da felicidade.

    Há um humorista que jamais podemos esquecer. Ele nasceu das águas do açude de Coremas. O pequeno notável se fez forte como as águas de sua terra. Deixou o sertão e sob os ares frios da Serra, instalou-se na Campina, aquela dos antigos tropeiros, a Grande Rainha da Borborema. O tempo foi passando e o menino de Coremas, nas páginas do Jornal “A Palavra”, desenhou o humor através de suas charges.

    Depois vieram a 9-Idéia, as emissoras de rádio, o teatro e a televisão. O pequeno sertanejo, numa boa invernada, deixou o seu humor transpor paredes e seguir o curso do rio da alegria. Suas águas, denominadas “sorrisos”, desaguaram no Domingão do Faustão, na Praça é Nossa, no Show do Tom, até perceber que “Tudo é Possível”.

    No palco, Leonardo, Joelma, Zezé de Camargo e Luiz Gonzaga, imitações que levaram o público ao delírio. Seu humor era contagiante. Foi através de um amigo comum, Alessandro Bonfim, que conheci esse extraordinário Shaolin. Um acidente silenciou a alegria.

    Depois de cinco anos de luta, uma madruga nos leva o humor. Na China, os Templos Shaolin reúnem mosteiros budistas e significam “Floresta Jovem”. Na Paraíba, Shaolin era e sempre será uma floresta de alegria, força, coragem, amor, fé e esperança. Que Deus esteja com você, amigo!


  • "Banho de chuva no Sertão"

    Publicado em Jan 22, 2016

    Não há banho de chuveiro, de banheira, de piscina, de mar, de cachoeira, de açude, de rio e de riacho, que seja melhor do que um banho de chuva no sertão de meu Deus.

    Só quem é das plagas sertanejas sabe bem o que representa despedir a estiagem, que na curva da estrada faz seu caminho para o oco do mundo. Açoitada pelos relâmpagos cortando os céus e sob o som estremecedor dos trovões, a seca vai embora e o menino corre livre pelas veredas banhadas pelas chuvas.

    Ele vai parando em cada biqueira, molhando o corpo e lavando a alma. O moleque segue sem medo dos raios e banhando-se alegre nas águas da chuva mandada por Deus, corre feliz na amplidão do sertão.

    Um dia fui menino no sertão. A invernada me lembra bem esse momento já vivido. Quando a chuva chega logo me recordo desse tempo. Por muitas vezes, em tardes de chuvas, desci e subi as ruas da minha terra Pombal. Não adiantava ordens de pais ou de avós para ficar em casa, a molequeira ganhava as ruas.

    O banho de chuva nos atraía para o mundaréu d'água que caía fortemente do céu sertanejo. O banho de chuva era, e ainda é, um batismo para a felicidade, principalmente no sertão, que quando chove, veste-se do belo verde, contagiando-nos de esperança por dias melhores, a cada pingo que vem do céu

    Quando vi a notícia de chuva no sertão, me inquietei. Queria descer a Serra de Santa Luzia. Ir ao encontro da chuva e abraçando o sertão, deitar numa rede e da varanda ver o céu carregado de nuvens escuras despejar água naquele mundo todo. Queria ver os clarões dos relâmpagos, ouvir o ronco dos trovões e o som da sinfonia das águas batendo e escorrendo pelas telhas. Queria ver o voo da volta da Asa Branca descrito por Zé Dantas e cantado por Gonzagão. Queria sentir a poesia Zé Marcolino: “Pássaro Carão cantou / Anum chorou também / A chuva vem cair no meu sertão / Vi um sinal meu bem / Que me animou também / Ainda ontem vi cobra no chão / É bom inverno que vem...”

    Vou voltar ao sertão. Vou tomar banho de chuva, deixando-a que lave meu corpo e minha alma, renovando minhas energias, sonhos e fé em dias de paz e amor nesse mundo de desencontros.


  • "Essa tal tecnologia"

    Publicado em Nov 1, 2016

    Essa tal tecnologia, sem dúvida, é algo que o homem não consegue mais viver sem ela.

    Hoje essa ligação emerge de forma umbilical, pois é impressionante como as crianças parecem que já nascem impregnadas pela tecnologia do terceiro milênio. Elas sabem com pouca idade manusear de maneira surpreendente em celulares, jogos instalados em tabletes, vídeos-game e computadores.

    A tecnologia está presente nas nossas vidas no âmbito da mais complexa atividade que exercemos até as coisas mais simples. Ela está na agricultura, no ensino, nas artes, na indústria, na cultura, no mundo doméstico, etc.

    Fico a imaginar uma casa sem tv, sem rádio e sem internet. Acho que seria difícil para homem, mesmo por pouco tempo conviver sem essas ferramentas, que estão presentes no cotidiano do ser humano. O homem está verdadeiramente conectado com o mundo, pelo rádio, pelas imagens da tv e pela internet, então, qualquer intervalo sem essas evoluções ele poderá mergulhar num abalo estrutural.

    O homem demonstra não está preparado para essas ausências. Recentemente o Brasil assistiu o pandemônio que foi vivermos quase vinte e quatro horas sem a ferramenta de comunicação intitulada “whattsapp”. Além da inquietação e desequilíbrio sentido pelo homem, este também sentiu prejuízos, os quais não foram experimentados só pelos denominados viciados na virtualidade, mas também por aqueles que vivem do comércio, do ramo empresarial, industrial, do fuxico, enfim, por todo mundo.

    O silêncio virtual causou uma desorientação na cabeça de crianças, adultos e velhos. Foi tão grande a repercussão que a liminar judicial foi revogada antes de seu cumprimento em termos de tempo, no entanto, deixou um rastro de inquietude que mostra-nos a preocupante dependência do homem em relação à tecnologia. O homem deve pensar e refletir sobre esses aspectos. A imensa maioria dos seres humanos não estão preparados para viver sem água encanada, sem luz elétrica, sem tv, sem rádio, sem os modernos meios de transportes e por aí vai.

    Com ou sem tecnologia, o homem deve voltar-se para Deus, só ele nos fortalece!