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ARTIGO: “Cegueira”, por Severino Coelho

Publicado em 09.08.2017
ARTIGO: “Cegueira”, por Severino Coelho

A cegueira política não passa de um trucidamento ideológico ao ideal democrático. Em nada contribui, pelo contrário, só piora as relações sociais no âmbito político.

A nossa visão mental do nosso mundo circundante deveria ser normal, realística e verdadeira, mas dependendo da personalidade individual pode mudar a situação fática.

Se for uma pessoa olheira vê uma coisa e deduz outra que foge da realidade e passa a acreditar na própria dedução, enquanto que a pessoa que enxerga de forma enviesada tenta mudar a própria realidade dos fatos.

Fisicamente, portanto, a cegueira, nós consideramos uma pessoa meio morta e meio viva, isto é, percebe as coisas pela metade com a ajudar imprescindível de outros sentidos e pelo grau de aguçamento.

Entretanto, cientificamente, a delimitação de deficientes visuais, cegos e portadores de visão subnormal, dá-se por duas escalas oftalmológicas: acuidade visual, aquilo que se enxerga a determinada distância; campo visual, a amplitude da área alcançada pela visão. O termo cegueira é relativo, pois reúne indivíduos com diversos graus de visão residual e abrange vários tipos de deficiência visual grave. Isso não significa, obrigatoriamente, total incapacidade para ver e sim prejuízo dessa aptidão para o exercício de tarefas do dia-a-dia.

No nosso ponto de vista, a visão no modo de análise dos fatos passa a ter seus ingredientes: ardentes, adocicados ou salgados.

Os hipócritas estão caminhando todos os dias do nosso lado com um disfarce de palhaço tonto depois da explosão do calhambeque no picadeiro do circo. Aquele cenário que faz toda gurizada rir para depois compreender que naquele picadeiro não é verdade!

Independentemente de religião, de crença ou não, por uma questão de sabedoria humana, nós temos que reconhecer os ensinamentos de Jesus Cristo estarão atualizados até o final dos tempos, por exemplo, “Por que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, vós que não vedes uma trave no vosso olho? Ou como dizeis ao vosso irmão: Deixai-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no vosso? Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”. (S. Mateus, cap. VII, v. 3, 4, 5.)

O homem de todos os tempos lê e não deixa de fazer o contrário; sabe que é errado fazer julgamento, mas aborta frases de prejulgamento a todos os momentos da vida. Um detalhe é importante: não olha para dentro de si. O espelho de seu quarto está quebrado.

O retrovisor do carro só vê o rosto do motorista do carro que lhe acompanha. E olhe que não ver a trave no seu olho, só tem olho de lince para o cisco no olho do vizinho.

Realmente, Jesus Cristo é o mestre dos mestres, ensina o amor, a caridade, o perdão. É a própria sabedoria personificada. Urge que seus ensinamentos precisam e merecem ser estudados à exaustão porque quanto mais o tempo passa mais eles ficam atualizados.

Justamente, o ensinamento de Jesus Cristo destina-se àqueles que têm uma trave, um pedaço de pau no olho e não percebem. Em contrapartida, enxerga o cisco, que é bem minúsculo, no olho da outra pessoa.

Se o teu olho não te enxerga! Por que vê o cisco no olho do vizinho? Por que não sente o pedaço de madeira no próprio olho? A tua trave faz seu olho enxergar de forma distorcida. Os papéis vistos no álbum de figurinhas são trocados. Porque a tua trave faz com que mude as cores e o tamanho natural das coisas. Pensa que o cisco no olho do vizinho é maior que a trave que cega a tua visão.

Outro ditado de conteúdo semelhante é “o pior cego é aquele que não quer ver”. Sabe como surgiu esta frase?

O pior cego é o que não quer ver. Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega que ver a verdade. Foge do verdadeiro. Inventa uma mentira para si mesmo.

Historicamente, em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso para medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar logo ficou horrorizado com o mundo que via, ou seja, o mundo real. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

Outro ditado que se aproxima do pior cego e piora a situação, encontramos numa frase de Heloá Marques: "O pior cego é aquele que não quer ver, ouvir, nem acreditar. O pior cego é aquele se faz de surdo. Aliás, o pior cego não é cego, é burro !"

Tens razão, pessoas iludidas pela mentira, dentro de um túnel escuro que não querem olhar ou saber da verdade.

Essa irônica frase é uma opinião de impacto, geralmente é aplicada para pessoas irredutíveis, que não gostam de saber e ouvir a verdade e até mesmo não aceitam a real situação das coisas. Pois um cego por si só faz o possível para tentar imaginar e aceitar o mundo a sua volta, diferente de uma pessoa que tem visão, porém, só vale o que ela pensa, deseja ou quer.

Força de expressão!

João Pessoa PB, 09 de agosto de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA – Promotor de Justiça
CONTATO: scoelho@globo.com

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