Ao escrever A Saga do Sargento Clementino Quelé no Encalço de Lampião e na Revolta de Princesa, busquei compreender os homens e os conflitos que marcaram o sertão nordestino dos anos 1920.
É com especial honra que anuncio que este livro terá seu lançamento avant-première em Nazarezinho, terra de Chico Pereira, no dia 7 de fevereiro de 2026, pelo Cariri Cangaço Expedições, sob a dedicação de Manoel Severo, Danilo Maia e Gabriel Mariz Veras.
Levar esta obra ao chão histórico de um de seus protagonistas é um gesto de memória, reparação simbólica e justiça histórica.
Chico Pereira projetou-se ao idealizar o assalto à cidade de Sousa, em aliança com Lampião, gesto que abalou a Paraíba e provocou uma reação dura do Estado.
A partir daí, Clementino Quelé ganha destaque como combatente do cangaço, convocado para a linha de frente da repressão.
Sob o comando do coronel José Pereira Lima e do tenente Manuel Benício, Clementino Quelé enfrenta Chico Pereira, então integrado ao bando de Lampião, em pelo menos dois combates, ambos no município de Princesa: Areias de Pelo Sinal e Serra do Pau Ferrado, onde Chico Pereira sai gravemente ferido.
Ali se confrontam dois mundos: o cangaço ousado e a força legal, a rebeldia e a ordem, o sertão e o poder.
Sobre o desfecho do combate da Serra do Pau Ferrado, há ainda a curiosa inconfidência de Abdias Pereira Dantas (1901–2004), irmão de Chico, segundo a qual o cangaceiro, gravemente ferido e dado como perdido, teria sido socorrido graças à intervenção do tenente Manuel Benício, que, por antiga amizade com o coronel João Pereira, seu pai, teria providenciado seu resgate e encaminhamento para tratamento no Cariri paraibano, sob a proteção do coronel Nilo Feitosa — versão esta registrada e discutida em A Saga do Sargento Clementino Quelé no Encalço de Lampião e na Revolta de Princesa, livro a ser lançado.
Este livro é o relato desse embate. Um mergulho na tensão, na dureza e na humanidade de uma história que o tempo quase apagou.
José Tavares de Araújo Neto
