
Em um universo extremamente machista, uma figura destoa no contexto geral do nosso futebol. Michelle Ramalho é a única mulher a presidir uma federação de futebol no Brasil. Desde 2018 ela tem o desafio de acabar com as picuinhas entre dirigentes e dar um basta nas intermináveis suspeitas de corrupção no futebol paraibano. Mas quem conhece bem a advogada sabe de sua principal qualidade: a de conciliadora.
Curiosamente, Michelle é a segunda mulher da história a comandar a FPF. Depois de Rosilene Gomes, que passou 25 anos à frente da Federação, de 1989 a 2014, Michelle Ramalho assumiu a entidade após ser apoiada justamente por Rosilene. Mas já demonstrou que não se prende ao passado. E muito menos a bandeiras. Para começo de conversa, minimiza o preconceito contra as mulheres no futebol, o que trata como “um problema cultural”.
– Eu nunca sofri preconceito. O meu discurso não condiz muito com o das feministas. Eu acho que o futebol é um meio realmente mais masculino, mas porque as mulheres não se interessam (Michelle Ramalho).
– As mulheres não vão atrás de procurar trabalhar com o futebol. Normalmente também pela criação. As mulheres estão lá, desde pequena, brincando de casinha, de boneca – disse a presidente da FPF, em palestra ao FutSummit, evento que reuniu várias personalidades do nosso futebol.
Mas Michelle também procura mudar essa realidade. Tanto que, desde que assumiu a FPF, faz questão de abrir espaço para o futebol feminino. Na última edição, em 2019, o estadual reuniu sete equipes e teve 38 jogos – um recorde na história do futebol feminino na Paraíba. O Auto Esporte-PB foi campeão, acabando com a hegemonia do Botafogo-PB – que antes de Michelle assumir, praticamente era o único clube que investia nas mulheres no estado.
– Ainda são poucas (as mulheres no futebol). Agora já tem aumentado muito… Mas são poucas que são criadas brincando de jogar futebol. Então elas acham que jogar bola é coisa de menino e acham que dirigir qualquer coisa ligada a futebol também. Existe uma diferença enorme. Não existe esse preconceito, tanto que nosso futebol feminino está um sucesso – completou a presidente.
Recentemente, ao colocar em dúvida a realização de campeonatos da base por causa da pandemia do novo coronavírus, Michelle Ramalho fez questão de ressaltar que o Paraibano Feminino está mantido no calendário. Por só começar em novembro, tem tempo de sobra para ver a situação melhorar. Será o terceiro campeonato feminino promovido na atual gestão da FPF, e a tendência é de um número maior de equipes e jogos.
Fonte: Globo Esporte PB