
A primeira Data Fifa de 2021 começa nesta semana, com jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, partidas de outras competições continentais e amistosos. Compromissos importantes serão disputados com clubes se recusando a liberar seus jogadores “internacionais”, em meio às constantes mudanças de restrição de viagem por causa da pandemia do coronavírus.
Liga que mais cedeu jogadores para a última Copa do Mundo, com mais de 100 nomes, a Premier League teve nas últimas semanas o posicionamento dos principais técnicos contra a liberação de atletas. O motivo é a quarentena de 10 dias a qual eles podem ser submetidos. Nomes de peso como Pep Guardiola e Jürgen Klopp protestaram.
A versão mais recente da “lista vermelha” do Reino Unido tem essencialmente países da América Latina e da África, além de alguns da Ásia. Portugal foi retirado do conjunto na última sexta-feira, o que desbloqueou nove convocados de clubes da Premier League.
O Reino Unido também deixou de ser considerado pela Alemanha como área de “risco para variantes” , o que beneficiou jogadores alemães que atuam no Campeonato Inglês, e vice-versa.
A novidade do fim de semana também ajudou atletas de outros países que defendem clubes da Bundesliga e vão disputar jogos pelas eliminatórias europeias na Inglaterra e na Escócia. Exemplos: o centroavante Robert Lewandowski, da Polônia, e o zagueiro David Alaba, da Áustria, ambos do Bayern de Munique.
A Áustria corria o risco de ficar sem 19 dos 29 convocados para os próximos jogos na Data Fifa.
Enquanto isso na França, os clubes das duas primeiras divisões, Ligue 1 e Ligue 2, decidiram não liberar atletas de seleções de fora da União Europeia (UE). Técnicos e federações de equipes africanas, em fase final das eliminatórias para a Copa Africana de Nações (CAN), reagiram. As últimas rodadas da qualificatória envolvem 48 times.
— Para além dos prejuízos que isso pode causar, parece evidenciar o caráter totalmente discriminatório dessa medida no que diz respeito às disposições estatutárias e regulamentos da FIFA, e legislação europeia sobre igualdade e liberdade contratual para os jogadores — declarou a federação do Senegal, em carta enviada à federação francesa (FFF).
Por que há uma diferença entre jogadores africanos e europeus? Essa quarentena é só um pretexto para impedir o atleta de viajar e jogar”.
— Vahid Halilhodzic, técnico da seleção do Marrocos, em entrevista coletiva
O atacante Memphis Depay, do Lyon, fez um apelo nas redes sociais para poder defender a Holanda contra a Turquia, na próxima quarta-feira, e Gilbratar no dia 30. Essas duas nações não fazem parte da UE.
— Governo francês, posso por favor me juntar à seleção da Holanda na segunda-feira? Isso seria justo já que vocês vão fazer uma exceção aos atletas da França que vão viajar para fora da Europa (partida contra o Cazaquistão, no dia 28) — declarou Depay, no Twitter.
A Liga de Futebol Profissional da França (LFP) avisou aos clubes no sábado que os jogadores “internacionais” receberiam uma exceção. O problema é que eles teriam de passar por um estrito protocolo enquanto defendem suas seleções, voltar em aviões particulares, e se submeter a testes diários de Covid-19 na volta.
Por sua vez, a seleção francesa se acertou com os governos dos países de seus convocados e vai ter todos disponíveis contra Ucrânia, Cazaquistão e Bósnia. O grupo ficará em isolamento total no Centro de Treinamento da seleção, em Clairefontaine.
A Espanha foi outra seleção que não teve repercussão de casos difíceis de liberação para os próximos compromissos desta Data Fifa. O mesmo vale para os clubes de lá em relação a atletas chamados por outras equipes nacionais. A liga espanhola tem hoje cerca de 500 jogadores, sendo 196 estrangeiros (39%).
Já na Itália não houve uma medida generalizada semelhante, mas a Internazionale de Milão vetou a viagem dos atletas após um surto de Covid-19 no elenco, com quatro positivos.
Mas como não houve novos casos até agora, o clube ainda depende de uma atualização das autoridades de saúde italianas nesta segunda-feira para saber se esse veto será mantido. O atacante Romelu Lukaku pode desfalcar a Bélgica contra o País de Gales na quarta-feira, e o meia dinamarquês Christian Eriksen não encararia Israel na quinta.
O cenário é diferente neste ano por causa de uma decisão da Fifa. A entidade estabeleceu em fevereiro que os clubes não são mais obrigados a liberar jogadores se houver um “período obrigatório de quarentena ou auto isolamento de pelo menos cinco dias após a chegada” no retorno ao país ou onde o jogo vai acontecer.
A decisão afetou 135 seleções que inicialmente iriam entrar em campo em março pelas eliminatórias para a Copa do Mundo.
— No contexto dos desafios que permanecem por causa da pandemia, o Conselho da Fifa decidiu fornecer uma flexibilidade adicional sobre a liberação de jogadores às seleções — declarou na época a entidade. A medida é válida até o fim de abril.
A Fifa até tentou convencer governos a criar exceções que permitissem essas viagens, como em outubro e novembro de 2020, quando ocorreram quatro rodadas das eliminatórias sul-americanas. Mas isso não se viabilizou desta vez. Ainda mais diante do recrudescimento da pandemia no continente, principalmente no Brasil.
Não à toa, Conmebol e a Fifa decidiram no início de março suspender os jogos das eliminatórias previstos para esta Data Fifa. As entidades perceberam que os clubes europeus não iam liberar os talentos sul-americanos. Ainda não foi definido quando a competição será retomada.
A atual Data Fifa também terá o início do respectivo torneio classificatório das Américas do Norte, Central e Caribe. Por outro lado, somente três partidas entre seleções da Ásia estão previstas — as restantes ocorrerão entre o fim de maio e meados de junho, em sedes centralizadas. Ainda não há confirmação para o começo da segunda fase das eliminatórias na África para a Copa, e nem para a abertura na Oceania.
Fonte: GE
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