
As contratações de Bahia e Sport – com a chegada de Diego Dabove e Gustavo Florentin – representam uma marca histórica no Campeonato Brasileiro. Isso porque a Série A de 2021 quebrou o recorde da última temporada e torna-se a edição com mais técnicos estrangeiros na era dos pontos corridos (desde 2003).
Neste momento, o Brasileiro chega a nove “gringos” como técnico em pelo menos uma partida no campeonato. O recorde anterior eram sete, na edição de 2020, numa crescente que vem desde 2014. Afinal, entre 2003 e 2013, foram apenas quatro treinadores vindos de fora.
Diego Dabove e Gustavo Florentín foram os últimos a chegar, mas o técnico do Sport é o único que ainda não estreou no campeonato. Dabove está no Bahia há duas semanas e comandou a equipe pela primeira vez na derrota para o Fluminense, na 18ª rodada da Série A.
Além da dupla, outros sete nomes estrangeiros passaram por este Brasileirão: Hernán Crespo (São Paulo), Vojvoda (Fortaleza), Abel Ferreira (Palmeiras), António Oliveira (Athletico), Miguel Ángel Ramírez e Diego Aguirre (Internacional), e Bruno Lopes (Bahia).
Maior parte deles ainda está em atividade nos respectivos clubes. É o caso de sete treinadores. Os dois nomes que estão fora dessa conta são o espanhol Miguel Ángel Ramírez, demitido do Inter em julho, e o português Bruno Lopes – que comandou o Bahia de forma interina na 17ª rodada, contra o Grêmio.
A origem
Os números desta temporada são reflexo de um processo contínuo – que ganhou força principalmente após o sucesso de Jorge Jesus no Flamengo e de Sampaoli no Santos, em 2019. Além de Abel Ferreira no Palmeiras, em 2020. Mas a história dos gringos na elite nacional é ainda mais antiga.
O Brasileirão teve estrangeiros ainda na primeira edição dos pontos corridos, em 2003. Caso do uruguaio Darío Pereyra, no Grêmio, e do chileno Roberto Rojas, no São Paulo.
Darío fez 20,8% de aproveitamento com o Tricolor Gaúcho e terminou demitido após uma vitória, dois empates e cinco derrotas. Rojas, por sua vez, assumiu o São Paulo inicialmente como interino. Foi efetivado e garantiu uma vaga na Libertadores 2004, mas terminou substituído por Cuca antes do início da temporada.
O que mudou
Depois disso, a participação de estrangeiros oscilou no campeonato – chegando a ter oito edições (de forma intercalada) sem nenhum técnico de fora do Brasil.
A mudança definitiva aconteceu em 2014 – que contou com Miguel Ángel Portugal, no Athletico, e Ricardo Gareca, no Palmeiras. Desde então, todas as edições da Série A tiveram ao menos um técnico estrangeiro.
Antes de 2021, o recorde estava com a edição de 2020 – que teve sete estrangeiros. Agora, a diferença existe por conta da “invasão” nos times do Nordeste. O Fortaleza virou sensação com Vojvoda – e terminou inspirando Sport e Bahia, que seguiram o mesmo caminho.
As equipes, inclusive, fazem de 2021 a edição dos pontos corridos com mais estrangeiros no Nordeste. O primeiro da região neste recorte, no entanto, apareceu em 2017: o sérvio Petkovic, no Vitória.
Confira a lista com todos os anos a partir de 2003
Brasileirão 2003 – Dois técnicos
Darío Pereyra (Uruguai) – Grêmio
Roberto Rojas (Chile) – São Paulo
Brasileirão 2004 – Nenhum
Brasileirão 2005 – Um técnico
Daniel Passarella (Argentina) – Corinthians
Brasileirão 2006 – Nenhum
Brasileirão 2007 – Nenhum
Brasileirão 2008 – Nenhum
Brasileirão 2009 – Nenhum
Brasileirão 2010 – Um técnico
Jorge Fossati (Uruguai) – Internacional
Brasileirão 2011 – Nenhum
Brasileirão 2012 – Nenhum
Brasileirão 2013 – Nenhum
Brasileirão 2014 – Dois técnicos
Miguel Ángel Portugal (Espanha) – Athletico-PR
Ricardo Gareca (Argentina) – Palmeiras
Brasileirão 2015 – Três técnicos
Diego Aguirre (Uruguai) – Internacional
Juan Carlos Osorio (Colômbia) – São Paulo
Sérgio Vieira (Portugal) – Athletico-PR
Brasileirão 2016 – Quatro técnicos
Diego Aguirre (Uruguai) – Atlético-MG
Edgardo Bauza (Argentina) – São Paulo
Paulo Bento (Portugal) – Cruzeiro
Sérgio Vieira (Portugal) – América-MG
Brasileirão 2017 – Dois técnicos
Petkovic (Sérvia) – Vitória
Reinaldo Rueda (Colômbia) – Flamengo
Brasileirão 2018 – Um técnico
Diego Aguirre (Uruguai) – São Paulo
Brasileirão 2019 – Dois técnicos
Jorge Sampaoli (Argentina) – Santos
Jorge Jesus (Portugal) – Flamengo
Brasileirão 2020 – Sete técnicos
Eduardo Coudet (Argentina) – Internacional
Domènec Torrent (Espanha) – Flamengo
Jorge Sampaoli (Argentina) – Atlético-MG
Ricardo Sá Pinto (Portugal) – Vasco
Abel Ferreira (Portugal) – Palmeiras
Emiliano Díaz (Argentina) – Botafogo
Gustavo Morínigo (Paraguai) – Coritiba
Brasileirão 2021 – Nove técnicos
Hernán Crespo (Argentina) – São Paulo
Juan Vojvoda (Argentina) – Fortaleza
Abel Ferreira (Portugal) – Palmeiras
António Oliveira (Portugal) – Athletico-PR
Miguel Ángel Ramírez (Espanha) – Internacional
Diego Aguirre (Uruguai) – Internacional
Bruno Lopes (Portugal) – Bahia
Diego Dabove (Argentina) – Bahia
Gustavo Florentín (Paraguai) – Sport
Fonte: GE
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