Capela, crepúsculo, seca vegetação e ninhos de passarinhos.
Cenário típico do sertão nordestino.
Sob o lajedo a Capela, presença da fé do sertanejo, da esperança que nunca morre, principalmente em tempos de estiagem. A tarde já se despede e o mormaço vai cedendo espaço para a brisa que o crepúsculo anuncia.
O sol já na quina do céu, doura com o brilho do seu derradeiro olhar, a amplidão da existência, numa abstrusa rotna, que mais parece fogueira apocliptica alumiando o firmamento por trás das árvores secas do meu torrão.
Embrenhados nos galhos secos, projetam-se ninhos de passarinhos, cassacas de couro, talvez galos de campina, ou quem sabe sabiás. Não importa, é a Santa Natura aninhando vidas no meio de um mundo temporariamente inóspito diante de tanto sol e terra árida, porém, nunca madastra.
O sertão é assim, de casas velhas abandonadas nos aceiros das estradas, chão por onde perambula dores e mágoas de um tempo seco e ingrato, que nega água e alimento aos seus filhos e, por isso, de joelhos postos no chão, o sertanejo na esperança e na fé, de cada crepúsculo e cada nascer de um novo dia, roga à Deus que venha o inverno, chegue misturando homens, mulheres e meninos, que correndo soltos no meio da chuva forte, desafiem trovões que sacodem serras e almas, como também relâmpagos riscando o céu como flashes a fotografar a alegria de um povo chamado Sertão
Sertão de Patativa do Assaré, das pegas de boi, das caçadas de tatu, do caboclo que desperta na hora certa seguindo o canto do inhambu.
Sertão, tu és poema de corpo e alma!
LIBERDADEPB
