
O presidente do Benfica não suportou a crise relacionada a investigações de sua vida financeira e apresentou a renúncia ao cargo nesta quinta-feira. A decisão de Luís Filipe Vieira foi enviada por carta ao presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube. No comunicado, essencialmente de tom jurídico, alegou que não tem condições de continuar na direção diante das acusações da Operação Cartão Vermelho.
Luís Filipe Vieira foi eleito presidente do Benfica pela primeira vez em 31 de outubro de 2003. Em outubro de 2020, conseguiu a reeleição para o sexto mandato, com término em 2024. Tinha se licenciado do cargo na sexta-feira passada, depois de ser detido para interrogatório. Rui Costa assumiu em seu lugar e vai convocar eleições até o fim deste ano.
Responsável pelo retorno de Jorge Jesus ao Benfica, Luís Filipe Vieira no ano passado estaria envolvido em um esquema de corrupção com o empresário José Antonio dos Santos, o maior acionista privado do Benfica, com 16,33% das ações do clube. Conhecido como “Rei dos Frangos” em Portugal, o milionário é amigo pessoal do dirigente e teria sido beneficiado na venda de parte de suas ações ao próprio clube.
Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Vieira e outros três acusados – o filho Tiago, e os empresários José António dos Santos e Bruno Macedo – “são suspeitas de estarem envolvidas em negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para sociedade”.
Foi com Luis Filipe Vieira que Jorge Jesus teve sua primeira passagem pelo clube, entre 2009 e 2015, quando fez sucesso e conduziu o time a três títulos do Campeonato Português, além de duas decisões na Liga Europa. O dirigente foi o responsável direto pelo retorno do treinador, no meio do ano passado, meses depois da renovação de contrato do treinador com o Flamengo. Amigo pessoal, Vieira ligou para o técnico e o convenceu a retornar a Portugal – indo buscá-lo no Brasil, inclusive.
Detalhes da investigação
Vieira estaria envolvido em um esquema que teria feito o empresário lucrar 11 milhões de euros (R$ 68,4 milhões) na venda das ações, feita por um total de 32 milhões de euros (R$ 198,9 milhões). O negócio levantou a suspeita da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, desde então, a operação vem sendo investigada, com o presidente se tornando alvo direto das suspeitas.
O Ministério Público português acredita que Vieira usou seu cargo de presidente para que o amigo lucrasse diante do movimento do Benfica de tentar aumentar a fatia que pertence ao próprio clube entre o capital dividido pelos acionistas da Sociedade Anônima Desportiva (SAD). O Benfica, que hoje tem 67% de sua SAD, quer chegar a 95%.
A TVI, de Portugal, afirma que, antes disso, o “Rei dos Frangos” teria recomprado uma dívida de 8 milhões de euros de Luis Filipe Vieira com um banco, impedindo que ele fosse à falência em meio ao processo eleitoral no Benfica, no ano passado. Possíveis dívidas ativas poderiam impedir a candidatura de Vieira, que acabou reeleito com 62,59% dos votos em outubro do ano passado.
Assim, o presidente e o empresário se tornaram suspeitos de crimes como fraude ao Fundo de Resolução Bancária, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. O caso aumentou a pressão sobre Vieira, que, apesar de reeleito no ano passado, virou alvo dos protestos de torcedores nos últimos anos – justamente por outras investigações.
Fonte: GE
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