Com surpresa, recebi a notícia do falecimento ocorrido na capital do Estado da Paraíba, no hospital da Unimed, aos 92 anos de idade, do nosso estimado e querido Professor Arlindo Ugulino.
Há ocasiões na vida em que o silêncio e a dor exprimem mais que as palavras, mas se mesmo assim em momentos como este elas teimam em serem ditas ou escritas é que registros precisam serem ditos; e reconhecimentos precisam serem feitos.
Talvez por isso, o momento seja tão difícil. Não é fácil traduzir os sentimentos da alma, sobretudo quando se quer bem. E nesse sentido, essa intervenção não tem o destino das palavras que o vento leva ou que o coração não escuta. Atribuo este momento a uma difícil e necessária homenagem, reconhecimento e agradecimento.
Professor Arlindo Ugulino será sempre o nosso querido Diretor do Colégio Estadual Arruda Câmara, cronista da Rádio Maringá AM em seus tempos áureos. Nascido em 29 de abril de 1933, na cidade de Santa Luzia é um dos pombalenses mais amados desta terra. O nosso eterno tribuno é filho de Justo Ugulino e Maria Jandira Ugulino. Em 31 de agosto de 1964 tomou posse como Promotor de Justiça exercendo com exímia competência e reconhecimento o seu oficio de fazer justiça nas Comarca de Pombal, Brejo do Cruz, Catolé do Rocha, São Bento e Sousa. Na cidade de Catolé do Rocha, exerceu a função de Superintendente Regional de Polícia Civil. Foi ainda Professor da Universidade Federal da Paraíba ajudando a formar uma plêiade advogados espalhados por toda a Paraíba. Poliglota, dominava com fluência o inglês, francês, grego e o latim. Durante anos, ainda muito jovem, foi seminarista do Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição, em João Pessoa.
Devoto de Nossa Senhora do Rosário, sempre foi figura marcante, ao lado do Pe. Solon Dantas de França, quase como cocelebrante, conduzindo pelas ruas de Pombal uma multidão de homens, mulheres e crianças revestidos pela fé e devoção nas procissões de Nossa Senhora do Rosário. Em 2025, como quem se despede, esteve presente às celebrações do Rosário.
Ao lado de sua amada Sônia Medeiros Ugulino foi exemplo de esposo, de pai de avô e bisavô. De certo modo, a nossa geração sente um pouquinho seus filhos.
Em minha adolescência, costumava assistir os embates jurídicos do Promotor Arlindo Ugulino no Tribunal do Júri de Pombal-PB, na verdade, não eram atuações, eram shows de conhecimento e segurança enfrentando advogados consagrados como Dr. Vital do Rêgo, Dr. Manoel Messias do Nascimento, Dr. Doca Gadelha e tantos outros. A justiça pombalense e paraibana perde muito com o passamento do nosso consagrado jurista.
Certamente que a morte não é o fim e acredito que ninguém morre completamente. Somos a memória que deixamos no outro, o bem que fazemos, os sorrisos que arrancamos, o espírito positivo que espalhamos onde quer que entremos. Somos o amor que damos ao outro. Somos a tolerância que lhe depositamos, a mão estendida e o perdão. Repito: somos a memória que criamos no outro.
A saudade e a sua ausência física entre todos nós certamente será sentida, mas não será suficiente para dizer que a morte venceu a vida. O que o Senhor foi e representa viverá impregnado no testemunho de sua esposa Sônia, de seus filhos Malba Delian, Arlindo Filho, Maria Jandira, Luís Augusto, Paulo de Tarso, Terezinha de Jesus, Lúcio Flávio (in memoriam) e Fernanda.
O que nós somos é um presente da vida para nós. O que nós seremos é um presente que damos à vida. A morte, repito, não é o fim. Prof. Arlindo viverá em nossa lembrança por que é na memória que as pessoas se eternizam.
Assim, externo aqui, em nome de toda a família França e, sobretudo, em nome do povo dessa terra, nossos mais sinceros votos de pesar a toda a família Ugulino.
Muito obrigado, professor!
Que Deus nos abençoe e conforte a todos!
Teófilo Júnior
