
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (23) a 50ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Sothis II. Os agentes federais cumprem três mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador (BA), Campinas e Paulínia (SP).
A operação é um complemento das investigações da 47ª fase, a Sothis, que apura o pagamento de propina de agentes públicos e atos de lavagem em contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras na área de transporte.
Em Salvador, a PF cumpre os mandados na casa de Ana Vilma Fonseca de Jesus, mulher do ex-gerente da Transpetro José Antônio de Jesus, que foi preso na 47ª fase e se encontra na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Em São Paulo, os mandados tem como alvo empresas investigadas na operação. Uma delas é a Meta Manutenção e Instalações Industriais Ltda, suspeita de pagar R$ 2,3 milhões em propina ao ex-gerente.
As investigações tiveram início com a colaboração premiada de executivos da NM Engenharia, que relataram o pagamento de propinas ao ex-gerente, derivadas de contratos celebrados com a estatal. Um dos investigados também relatou a existência de outros pagamentos indevidos, especialmente provenientes da empresa Meta.
Quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos revelaram a existência de diversas transações bancárias entre a Meta Manutenção e uma empresa vinculada a José Antônio de Jesus, entre os anos de 2009 e 2011, totalizando 2,3 milhões.
As provas colhidas até o momento indicam ainda que, logo após as transferências dos recursos pela Meta Manutenção, familiares de José Antônio de Jesus foram favorecidos diretamente com operações bancárias da empresa vinculada ao ex-gerente da Transpetro, que teria sido utilizada apenas para esconder a origem ilícita dos valores.
47ª FASE
Familiares e intermediários do ex-gerente também são suspeitos de operacionalizar o recebimento de R$ 7 milhões de propinas pagas pela empresa de engenharia NM entre setembro de 2009 e março de 2014, dissimulando a origem ilícita dos recursos, por meio de depósitos em contas bancárias.
Segundo os procuradores, o ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da NM com a Transpetro como propina, mas o acerto final ficou em 0,5%. Esse valor teria sido pago mensalmente em benefício do PT e não tinha relação com os pagamentos feitos pela mesma empresa ao PMDB a pedido da presidência da Transpetro.
Fonte: Folha de São Paulo