
A paciência do Sport-PB parece ter acabado. O clube considera que o Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB) está demorando demais para dar um desfecho ao caso envolvendo a suposta escalação irregular de um jogador da Perilima no Campeonato Paraibano da 2ª divisão deste ano. E, por isso, 49 dias depois de o processo ser instaurado, a diretoria do Carneiro, que quer a vaga da Águia na elite do futebol do estado, solicitou na noite dessa segunda-feira que o imbróglio vá direto para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (SJTD). Quem também está de olho na vaga da Perilima e deseja que a maior instância da justiça desportiva brasileira assuma a situação é o São Paulo Crystal, terceiro colocado da Segundona.
A alegação de Arthur Ferreira, representante do Sport de Lagoa Seca, é a de que o processo já possui dois meses de duração e ainda nem sequer foi julgado em primeira instância. O julgamento, que estava previsto para esta terça-feira, foi adiado, ainda sem uma nova data para acontecer. Diante disso, o dirigente informou que solicitou diretamente ao presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, que o caso seja levado ao âmbito nacional.
– Acredito que o Dr. Salomão irá avocar o processo ao STJD para que seja julgado e se encerre essa celeuma jurídica o mais rápido possível, evitando prejuízos ao futebol paraibano – afirmou Arthur.
O Sport-PB acusa a Perilima de ter escalado o meia Brenno Yuri de maneira irregular em cinco jogos da primeira fase da 2ª divisão deste ano. O Carneiro lembra que, como o atleta não possuía vínculo profissional e já havia ultrapassado a marca dos 20 anos de idade, a Águia de Campina infringiu o regulamento da competição, que, de fato, veda essa condição.
Vale ressaltar que, quando o Sport-PB entrou com a ação no TJDF-PB, a semifinal da Segundona entre a Perilima e o Carneiro, chegou a ser suspensa. No entanto, foi o próprio STJD quem derrubou a liminar, solicitando a remarcação da partida para que o campeonato estadual não fosse prejudicado.
Em compensação, falta pouco mais de um mês para o início do Campeonato Paraibano da 1ª divisão, no qual a Perilima, como vice-campeã, está confirmada.
Apesar de o Sport-PB argumentar que o julgamento do caso foi mais uma vez adiado, o presidente do TJDF-PB, Ricardo Barros, negou que a sessão estivesse agendada para a noite desta terça-feira. De acordo com o jurista, o procurador do caso, Pablo Juan Nóbrega, somente enviou o parecer nessa segunda-feira. Sendo assim, o processo volta para o auditor André Cavalcanti, que define os próximos passos.
– O julgamento sequer foi marcado. O relator despachou na última quinta-feira o processo, que foi para as mãos do procurador no mesmo dia. O procurador Pablo Juan Nóbrega de Sousa deu o parecer nessa segunda-feira, à noite. Com isso, o processo vai para o auditor André Cavalcanti, que vai definir se vai para julgamento ou não – garantiu o presidente Ricardo Barros.
O próprio presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba afirmou que entrou em contato com o STJD e enviou um relatório explicando a situação.
Porém, de acordo com a secretaria do TJDF-PB, o julgamento estava sim marcado para acontecer, mas que realmente foi adiado e não vai mais ser realizado nesta terça-feira.
Tricolor também está no jogo
De olho e peça participativa no Caso Perilima, o São Paulo Crystal também entrou com ação no TJDF-PB e, assim como o Sport-PB, também deseja que o STJD assuma o processo. No documento em que solicita a avocação da ação pelo Superior Tribunal, o Tricolor de Cruz do Espírito Santo deseja que a Águia de Campina seja excluída da 2ª divisão do Paraibano e, como terminou a competição na terceira posição, herde a vaga na elite do futebol do estado.
Dentro de campo, a Perilima foi dona da melhor campanha de toda a primeira fase e foi derrotado apenas na decisão do estadual, quando caiu diante do Esporte de Patos, o campeão.
Entenda o caso
Todo o imbróglio judicial se deve ao fato de que a Perilima escalou o jogador Brenno Yuri em cinco rodadas da primeira fase do estadual. A questão é que o atleta já havia extrapolado a idade de 20 anos e não possuía vínculo profissional com a Águia de Campina quando atuou pelo time; e essas duas condições, juntas, são proibidas pelo regulamento da 2ª divisão do Paraibano.
falta de condição para atuar no torneio se dá por conta de algumas exigências do regulamento da divisão de acesso do estadual. Segundo o documento, dentre algumas outras disposições, cada clube pode utilizar por partida apenas cinco jogadores não profissionais. Estes precisam ter no máximo 20 anos e, como especifica o regulamento, no caso de terem essa idade máxima, precisam ter nascido em 1998.
O último registro de Brenno Yuri no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) data do dia 17 de setembro deste ano e trata de um vínculo não profissional com a Perilima. Apesar de ter 20 anos, o jovem nasceu no dia 6 de dezembro de 1997 e vai completou 21 anos há quase duas semanas, segundo o sistema da CBF. Atuar no torneio, portanto, feriu o regulamento específico da competição. Para que estivesse regular com essa idade, o contrato registrado no BID teria que ser profissional.
Fonte: Globo Esporte