
O Azerbaijão disse neste domingo (4) que as Forças Armadas armênias bombardearam sua segunda cidade, Ganja, em uma nova escalada do conflito no sul do Cáucaso.
A Armênia negou ter disparado contra o Azerbaijão.
No entanto, o líder de Nagorno Karabakh, uma região de maioria étnica armênia dentro do Azerbaijão, disse que suas forças destruíram uma base aérea militar localizada em Ganja.
“As unidades militares permanentes localizadas nas grandes cidades do Azerbaijão a partir de agora se tornam os alvos do Exército de defesa”, disse o líder de Karabakh, Arayik Harutyunyan.
O Ministério da Defesa azeri disse que as cidades de Terter e Horadiz, perto da fronteira com Nagorno Karabakh, estavam sob bombardeios intensos.
No sábado (3), a Armênia anunciou a morte de 51 soldados no sétimo dia de combates entre separatistas da região de Nagorno Karabakh e as forças do Azerbaijão.
A lista dos 51 militares mortos foi publicada no site do governo armênio. O balanço parcial dos combates registra 242 mortes dos dois lados.
A disputa se dá pela região de Nagorno Karabakh, que pertence ao Azerbaijão, mas a maioria da população é de etnia armênia.
Os embates começaram há uma semana e atingiram seu pior nível desde a década de 1990, quando cerca de 30 mil pessoas foram mortas.
O conflito corre o risco de arrastar outras potências regionais, como a Rússia e a Turquia, e interromper o fornecimento de energia através do Sul do Cáucaso, onde oleodutos transportam petróleo e gás azeri para os mercados mundiais.
Busca do cessar-fogo
Na quinta-feira, os presidentes da Rússia, França e Estados Unidos pediram o fim do conflito.
O governo da Armênia, que apoia os separatistas, afirmou na sexta-feira (2) que está disposto a trabalhar com o grupo de mediação liderado por Rússia, Estados Unidos e França, para instaurar um cessar-fogo em Nagorno Karabakh.
“Estamos dispostos a um compromisso com os países que presidem o grupo de Minsk na OSCE para restabelecer um cessar-fogo baseado nos acordos de 1994-1995”, afirmou o ministério armênio das Relações Exteriores em um comunicado.
Após este primeiro gesto armênio no sexto dia de hostilidades, o Azerbaijão ressaltou que o conflito tem um propósito: a retirada armênia de Nagorno Karabakh, uma região do Azerbaijão habitada principalmente por armênios e que se separou com a queda da URSS.
“Se a Armênia quer ver o fim dessa escalada deve acabar com a ocupação”, declarou à imprensa Hikmet Hajiyev, assessor da presidência do Azerbaijão.
‘Linha Vermelha’
Macron, que tem relações difíceis com Recep Tayyip Erdogan, disse na quinta-feira que 300 combatentes “jihadistas” deixaram a Síria para se juntar ao Azerbaijão via Turquia. Uma “linha vermelha” para o francês.