
A brasileira Gisele Barreto Fetterman, esposa do vice-governador do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que foi verbalmente atacada no último fim de semana, diz que foi a primeira vez que foi alvo de insulto racista nos EUA presencialmente. Ela conta que já havia sofrido esse tipo de agressão na internet.
Agora, informa a brasileira, sua equipe de segurança está cuidando do caso para que não volte a ocorrer. “Meu time de segurança está lidando com o caso. Se ela chegar perto de mim, será presa”, disse sobre a agressora.
A mulher que xingou Gisele se aproximou várias vezes. Em um momento, no estacionamento, a brasileira conseguiu gravar um vídeo de um dos ataques.
“Eu estava na fila do caixa para pagar quando ela [a agressora] passou por mim. Ela me reconheceu e parou. Ela não gritou, mas se aproximou e disse coisas feias. Saiu, andou, voltou e disse mais coisas feias”, disse Gisele, em entrevista ao G1.
Agressão por ser diferente
A agressora chamava Gisele de “nigger”, uma injúria extremamente grave para se referir a negros nos EUA.
A palavra tem uma conotação tão agressiva que há quem não a pronuncie, nem mesmo para relatar um caso –na entrevista, Gisele evita empregar a terminologia.
Geralmente, a segunda-dama tem uma equipe de seguranças que a protege. Naquele momento, no entanto, estava sem o apoio dos profissionais. “Era domingo, o mercado fica a três minutos da minha casa”, afirmou ela.
“Eu paguei e não vi [a agressora], imaginei que ela estava fazendo compras. Eu fui para o carro [sozinha], estava bem na frente da loja. Entrei, fui sair da vaga quando ela apareceu.”
Agora a brasileira conta com o trabalho de seu time de segurança para que não volte a ser importunada.
Gisele diz que é possível que a mulher tenha problemas psiquiátricos: “Ela pode ter problemas mentais, mas também é racista. Já conheci muitas pessoas com problemas mentais que não são racistas”.
Infância sem documentos legais
A brasileira diz que essa foi a primeira vez que foi insultada presencialmente e com essa palavra. Geralmente, os ataques acontecem na internet e fazem referência ao fato de ela ter sido uma imigrante que entrou nos EUA de forma ilegal.
“Em geral dizem para eu voltar para o meu país, que sou um imigrante ilegal, que é um jeito de desumanizar uma pessoa. Perguntam onde o Joe [o marido dela] me comprou, como se eu tivesse sido comprada por catálogo. Isso acontece diariamente. Mas nunca havia acontecido na minha cara”, disse ela.
A brasileira tem 38 anos e chegou aos EUA quando tinha 7. “Minha mãe era uma nutricionista, trabalhava em hospitais no Rio. Em Nova York, ela foi fazer limpeza em hotéis. Chegamos sem casa e sem saber falar a língua. Eu era aluna estrangeira, foi uma jornada de mais de dez anos sem documento”, conta ela.
Fonte: G1