
Agentes do aeroporto de Doha, no Catar, retiraram passageiras de dentro de um avião para Sydney e as obrigaram a fazer testes para determinar se alguma delas havia dado à luz recentemente –um recém-nascido havia sido abandonado em um dos banheiros do local.
O incidente aconteceu em 2 de outubro deste ano.
O Catar é regido pela lei islâmica e pune mulheres que fazem sexo fora do casamento e engravidam com prisão.
Ativistas há muito defendem a descriminalização dos casos de mulheres que engravidaram fora do casamento, especialmente se elas forem estrangeiras.
Elas geralmente dão à luz sem a ajuda de médicos, que são obrigados a notificar esses casos.
O Catar tem 2,75 milhões de habitantes, e 90% da população é estrangeira.
Governo não se pronunciou
O governo do Catar não fez comentários sobre o incidente no aeroporto, apesar da reação da chanceler australiana, Marise Payne, que chamou o caso de “extremamente perturbador, chocante, preocupante”.
A direção do aeroporto não pediu desculpas, mas afirmou que o bebê está vivo e em tratamento. “As pessoas que tiveram acesso à área específica do aeroporto onde o recém-nascido foi encontrado foram convidadas a auxiliar na investigação”, afirmou em nota.
O Catar deveria “examinar a política que levou a este evento (o abandono do bebê) em primeiro lugar”, afirmou a ONG Human Rights Watch à AFP.
Copa do Mundo
Em 2022, o país será a primeira nação árabe a sediar uma Copa do Mundo de Futebol.
O país é regularmente criticado pelas condições de trabalho dos migrantes, principalmente daqueles contratados para trabalhar em sites de futebol da Copa.
O país também é frequentemente criticado por financiar o jihadismo, apoiar a Irmandade Muçulmana e criminalizar a homossexualidade.
Fonte: AFP