
Os olhos de Ahmadiya Juaidi estão arregalados enquanto ela bebe um shake nutritivo em uma grande caneca laranja segurada pela alça por seus finos dedos. Seu cabelo está puxado para trás e ao redor do pescoço está pendurado um colar de prata com um coração e a letra A.
Três semanas atrás, a menina de 13 anos pesava apenas nove quilos quando foi internada no hospital al-Sabeen na capital do Iêmen, Sanaa, com uma desnutrição que a deixou doente por pelo menos quatro anos. Agora ela pesa 15 quilos.
“Temo que, quando voltarmos para o interior (do país), sua condição se deteriore novamente devido à falta de alimentos nutritivos. Não temos renda”, disse seu irmão mais velho, Muhammad Abdo Taher Shami, à Reuters.
Eles estão entre cerca de 16 milhões de iemenitas — mais da metade da população do país da Península Arábica — que as Nações Unidas afirmam serem vítimas de escassez de alimentos. Destes, cinco milhões estão à beira da fome, alerta o chefe da ajuda humanitária da ONU, Mark Lowcock.
Na segunda-feira, a Organização das Nações Unidas espera arrecadar cerca de 3,85 bilhões de dólares em um evento virtual de promessas para evitar o que Lowcock diz ser uma fome “provocada pelo homem” em grande escala, a pior que o mundo já viu em décadas.