O delegado Braz Morroni e dois investigadores da Polícia Civil tiveram a prisão mantida após a audiência de custódia nessa terça-feira (2), em João Pessoa. Os agentes foram encaminhados para o presídio do Valentina.
A Operação Perfidus, deflagrada nessa terça, resultou na prisão do delegado titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio (DCCPAT), os investigadores Everton Rychelyson, conhecido como Bomba, e Eduardo Jorge, chamado de Mão Branca, e mais seis suspeitos.
A investigação teve início há cerca de 14 meses e identificou um esquema criminoso que desviava drogas apreendidas durante abordagens policiais para o tráfico. O esquema incluía o delegado e os investigadores, que se utilizariam da aparência de legalidade da atividade policial para beneficiar o ganho ilegal.
Em entrevista à TV Correio, o delegado geral da PC, André Rabelo, informou que a investigação teve início após a denúncia anônima de um traficante, que disse ter sido roubado pelos agentes com a viatura da polícia.
Já o delegado Rafael Bianchi detalhou o modo de operação da organização criminosa. De acordo com ele, foi identificado que um traficante de confiança informava aos policiais locais onde haviam drogas sendo armazenadas ou transportadas. Esses agentes realizavam a abordagem, subtraiam o material e não seguiam o procedimento policial ou informavam uma quantidade menor do que o real.
As drogas desviadas eram encaminhadas para outros traficantes, para realizar a distribuição. Os lucros eram divididos entre os investigadores, que repassavam parte desse valor para que o delegado fizesse vista grossa para o esquema. Braz Morroni receberia os valores em dinheiro em espécie.
Segundo a Polícia Civil, um dos alvos suspeito de integrar o grupo criminoso declarava trabalhar como pedreiro, mas teria movimentado cerca de R$ 3 milhões de reais sem a comprovação dessa renda. Além disso, os investigadores teriam movimentado R$ 4.8 e R$ 5.1 milhões no período de quatro anos, o que não correspondia aos salários que recebiam.
De acordo com Jean Nunes, secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, além das prisões, o delegado e os investigadores serão afastados de suas funções administrativas e também passarão por um processo interno que poderá resultar na demissão definitiva dos cargos.
Fonte: Portal Correio