
O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta terça-feira (16), durante encontro virtual de líderes do Prosul, a prisão da ex-presidente da Bolívia Jeanine Áñez por suspeita de participar de uma conspiração para retirar Evo Morales do poder, em 2019.
Áñez foi presa no sábado (13), na cidade de Trinidad, capital do departamento amazônico de Beni (nordeste). No domingo (14), a Justiça determinou quatro meses de prisão preventiva para a ex-presidente.
Outros cinco ex-ministros de Áñez também foram detidos, e o governo do Peru informou que a ex-ministra Roxana Lizárraga solicitou asilo.
Como reação as prisões, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades da Bolívia para protestar contra o atual presidente, Luis Arce, herdeiro político de Evo Morales.
Bolsonaro aproveitou seu discurso, transmitido pela TV Brasil, para criticar a prisão de Áñez. Ele lembrou que a defesa e promoção da democracia “é um dos princípios basilares do Prosul”, grupo formado por países sul-americano (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Guiana).
“Nesse sentido, nos preocupam os acontecimentos em curso na Bolívia, nosso vizinho e país irmão, onde a ex-presidente Jeanine Áñez e outras autoridades formam presas, sob a alegação de participação em golpe, que nos parece totalmente descabida. Esperamos que a Bolívia mantenha em plena vigência o Estado de direito e a convivência democrática”, disse Bolsonaro.
Instabilidade
A situação política da Bolívia é instável desde 2019, quando Evo Morales renunciou após a suspeita de fraudes na eleição que apontava sua 4º vitória consecutiva.
Um relatório da OEA registrou irregularidades na apresentação dos resultados e foi usado pela oposição a Morales, que, pressionado por militares, fugiu para o México e, depois, Argentina.
Senadora de oposição a Morales, Jeanine Áñez se declarou presidente interina da Bolívia em novembro de 2019. Ela era a segunda vice-presidente do Senado e só chegou ao poder depois de renúncias de cinco autoridades. Áñez teve a posse endossada pelo Tribunal Constitucional da Bolívia.
No ano passado, novas eleições foram realizadas na Bolívia e Luis Arce, atual presidente, foi eleito. Arce é aliado de Evo Morales e a chegada dele ao poder permitiu o retorno do ex-presidente ao país.
Críticas à esquerda
Bolsonaro tem histórico de comentar a situação política de outros países, em especial, com críticas aos governos de esquerda.
Bolsonaro, por exemplo, declarou apoio a Mauricio Macri, na Argentina, e a Donald Trump, nos EUA. Os políticos, ambos de direita, acabaram derrotados nas tentativas de reeleição.
Morales, e o atual presidente Luis Arce, são políticos de esquerda. Morales tem estreita ligação com o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além do Brasil, outros países e organismos manifestaram preocupação com a situação na Bolívia. Foram os casos dos Estados Unidos, da Comissão Europeia, da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Secretario-geral da OEA, Luis Almagro, afirmou que “o sistema judicial boliviano não está em condições de oferecer as garantias mínimas de um julgamento justo” e pediu a liberação do detidos.
Pelo Twitter, o ex-presidente Evo Morales respondeu a Almagro afirmando que “ele também deve ser julgado por promover o golpe e por crimes contra a humanidade”.
Pandemia
Durante o discurso transmitido pela TV Brasil, emissora oficial do governo federal, Bolsonaro citou como “duas grandes prioridades” do governo a “superação da crise sanitária e a necessidade urgente de retomada do crescimento econômico” diante da pandemia do novo coronavírus.
O presidente, contudo, não citou a campanha de vacinação em curso no país ou se solidarizou com as quase 280 mil vítimas brasileiras da Covid-19. Ele concentrou o discurso no enfrentamento aos problemas econômicos provocados pela pandemia.
Fonte: G1