Centenas de pessoas se reuniram nas ruas de Tbilisi, capital da Geórgia, para protestar contra a prisão de Nika Melia, líder do principal partido de oposição do país, o Movimento de União Nacional (MUN), nesta terça-feira (23).
Melia foi retirado de dentro da sede do partido, e cumpre uma prisão preventiva, noticiou a emissora de televisão local, Mtavari. A operação policial acontece poucos dias depois que o primeiro-ministro Giorgi Gakharia renunciou ao cargo.
A Geórgia vive uma crise política desde 2019, quando protestos contra o governo eclodiram no país. A situação piorou em outubro do ano passado, após o partido governista Sonho Georgiano vencer o pleito e opositores começarem a questionar o resultado das urnas.
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Mapa identifica a cidade de Tblisi, na Geórgia, onde manifestantes protestaram após prisão de opositor — Foto: G1 Mundo
A ação policial não repercutiu bem entre os aliados ocidentais desta ex-república soviética do Cáucaso.
“Chocado com as cenas na sede do MUN esta manhã”, escreveu o embaixador britânico na Geórgia, Mark Clayton. “A violência e o caos em Tbilisi são as últimas coisas de que a Geórgia precisa neste momento.”
A embaixada dos Estados Unidos disse em um comunicado que está “profundamente preocupada” com a detenção de Nika Melia. Na nota, eles ressaltam que a força e a agressividade “não são a solução para resolver as diferenças políticas na Geórgia”.
Um tribunal da capital da Geórgia, Tbilisi, decidiu na quarta-feira prender Melia sob a acusação de organizar “violência em massa” durante protestos contra o governo em 2019. Se condenado, pode pegar nove anos de prisão.
Ele nega todas as acusações, e alegou sofrer perseguição política.
Na segunda-feira, o Parlamento confirmou a nomeação do ministro da Defesa, Irakli Garibashvili, como novo primeiro-ministro. Em um discurso para os deputados, Garibashvili anunciou que o governo prenderia Melia.
O novo primeiro-ministro é considerado um político leal ao oligarca Bidzina Ivanishvili, fundador do partido Sonho Georgiano, homem mais rico do país e considerado por muitos como a pessoa que realmente controla o poder, apesar de oficialmente não ter um cargo político.
No poder desde 2012, o partido Sonho Georgiano perdeu popularidade em um cenário de estagnação econômica e de ataques aos princípios democráticos.
Fonte: G1