Esta sexta-feira é um dia-chave, e histórico, não só para o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, mas também para outros dois ex-líderes mundiais, todos eles acusados de corrupção.
No mesmo dia em que vence o prazo para o petista se apresentar à Polícia Federal em Curitiba para ser preso, a Coreia do Sul condenou a ex-presidente Park Geun-hye e a África do Sul levou a um tribunal Jacob Zuma, que até fevereiro governava o país.
Os três negam as acusações que pesam contra eles e afirmam que são vítimas de perseguição política.
De pioneira a presa
Park Geun-hye, a primeira mulher a comandar a Coreia do Sul, foi condenada nesta sexta-feira a 24 anos de prisão e a pagar uma multa equivalente a US$ 17 milhões (R$ 56 milhões) por abuso de poder e coerção. A Procuradoria havia pedido uma pena maior: 30 anos de prisão e pagamento de US$ 127,1 milhões.
Ela governou o país de 2013 a 2016 e foi destituída do cargo sob as acusações de corrupção, suborno, abuso de poder e vazamento de segredos de Estado durante o período que ocupou o cargo.
Sem foro privilegiado, foi detida e ficou presa por um ano até o anúncio da sentença. O veredito contra Park foi transmitido ao vivo e representa, segundo analistas, o desfecho de um escândalo que despertou a ira da população contra políticos e representantes da elite econômica.
No centro do caso está a amizade entre ela e Choi Soon-sil, filha do fundador da Igreja da Vida Eterna e conhecida como “Rasputina” – em referência a Rasputin, o homem que exerceu enorme influência sobre o czar Nicolau 2º da Rússia no início do século 20.
Park é acusada de permitir que Choi tivesse acesso a documentos oficiais e que usasse as ligações com a presidente para pressionar empresas como Samsung, LG e Hyundai a fazer doações milionárias a fundações controladas por ela.
Park nega todas as acusações e afirma que o julgamento foi tendencioso.
A ex-presidente protagonizou um dos maiores escândalos de corrupção do país. Além de políticos sul-coreanos, as investigações apontaram para a suposta participação de importantes empresas no esquema.
O caso também permitiu a ascensão do liberal Moon Jae-in, adversário político de Park que acabou por substitui-la como presidente depois transformar a luta contra a corrupção em sua principal bandeira de campanha.
Acusações desarquivadas na África
Na África do Sul, ex-presidente Jacob Zuma, que renunciou ao cargo em fevereiro deste ano, compareceu no Supremo Tribunal de Durban na manhã desta sexta-feira para responder a acusações de corrupção contra ele – momento que vem sendo classificado como “extremamente simbólico” para a jovem democracia do país.
Ele está sendo processado por suspeitas envolvendo um contrato para aquisição de armas firmado nos anos 1990, quando era vice-presidente.
Zuma, de 75 anos, apareceu por 15 minutos na corte. Depois disso, a análise do caso foi adiada para o dia 8 de junho.
Em 2009, o Supremo Tribunal da África do Sul chegou a derrubar 783 acusações de corrupção contra ele, o que lhe permitiu concorrer à Presidência naquele ano.
Mas, no final do ano passado, mais alta corte sul-africana decidiu revisar as centenas de acusações que pesavam contra o então presidente.
Pressionado, Zuma renunciou ao cargo e agora enfrenta pelo menos 16 processos por corrupção, extorsão, fraude e lavagem de dinheiro.
Ele nega todas as acusações e diz não ter havido nenhuma irregularidade nos contratos firmados por ele.
“Eu nunca vi antes alguém ser acusado de um crime, essas acusações serem retiradas e anos depois as mesmas acusações serem recolocadas. Isso se trata meramente de uma conspiração política”, afirmou após deixar a corte.
Fonte: Terra