Em meio à devastação causada pelos terremotos na Venezuela, um médico operou uma mulher que havia acabado de dar à luz em uma lanchonete adaptada como hospital de campanha. Segundo o jornal espanhol El País, a cirurgia foi realizada no escuro, com calor acima de 40°C e apenas com a iluminação de celulares, enquanto a paciente corria risco de morrer por hemorragia.
A mulher chegou ao local após fazer o parto sozinha e ainda com restos da placenta no útero. De acordo com a reportagem, duas enfermeiras a levaram imediatamente para a sala de cirurgia improvisada, onde o cirurgião Miguel Romero retirou o tecido com o auxílio de uma cânula e de uma pinça cirúrgica. O procedimento foi concluído em menos de uma hora. Romero afirmou que já havia realizado esse tipo de operação antes, mas nunca em condições tão extremas.
O hospital improvisado funciona dentro de um restaurante de fast-food abandonado em La Guaira, cidade localizada no epicentro do terremoto. A estrutura foi montada por médicos voluntários com doações da sociedade civil e passou a simbolizar a falta de recursos e a resposta improvisada diante da maior tragédia natural registrada na Venezuela em mais de um século, de acordo com o El País.
O espaço começou a ser ocupado depois que um estudante de medicina montou um pequeno posto de atendimento ao lado do restaurante, utilizando apenas um cobertor e duas lonas. Após conseguir autorização para entrar no imóvel, os voluntários retiraram os escombros e adaptaram o prédio: o antigo salão de refeições virou centro cirúrgico, o balcão foi transformado em farmácia e o piso superior passou a servir de alojamento para médicos, enfermeiros e equipes internacionais de resgate.
Uma semana após o terremoto, o número de mortos já ultrapassa 2.200, enquanto mais de 10 mil pessoas ficaram feridas, de acordo com o governo venezuelano. Segundo o El País, 855 edifícios foram atingidos, dos quais 189 desabaram completamente. A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) também alertou para o agravamento da crise humanitária, citando escassez de alimentos, colapso dos serviços básicos e aumento dos riscos para a população deslocada.
O médico Miguel Romero, de 34 anos, faz doutorado em neurologia na Alemanha e estava na Venezuela para visitar familiares quando o terremoto ocorreu. Depois de viajar mais de dez horas até a região afetada, passou a integrar a equipe de voluntários e tem dormido apenas algumas horas por dia. Apesar das dificuldades, Romero contou ao El País que continua confiante “na força, na resiliência e na capacidade de resistência de um povo mobilizado e agarrado à vida”.
Fonte: Portal Correio