
Embaixadores dos países-membros da União Europeia se reúnem nesta sexta-feira (25) em Bruxelas para dar continuidade ao processo de votação e implementação do acordo do pós-Brexit, concluído nesta quinta-feira (24) entre a Europa e o Reino Unido.
A RFI ouviu políticos, acadêmicos e empresários sobre as expectativas dessa futura relação entre dois grandes parceiros comerciais.
Os 27 chefes de Estado e de governo do bloco europeu deverão dar seu aval sobre o documento, que reúne cerca de 1500 páginas e levou meses de discussão. Do lado britânico, os parlamentares terão somente o dia 30 de dezembro para debater e depois se pronunciar sobre o novo projeto que transformará o acordo em lei nacional. Depois disso, ainda será preciso obter a ratificação do Parlamento Europeu, no início de 2021.
“Nós podemos esperar, eventualmente, alguma resistência no Parlamento Europeu, já que certos eurodeputados reclamaram que não tiveram tempo para ler o documento”, afirma Emmanuelle Saulnier Cassia, professora de direito público na Universidade de Versailles Saint-Quentin. “Mas o Parlamento Europeu não pode modificar o acordo, só pode aceitar ou recusar em bloco a ratificação”, acrescenta
De acordo com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, trata-se de um acordo “bom, equilibrado” e “justo” para os dois lados. “A unidade e firmeza europeias valeram a pena”, reagiu, por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron.
O eurodeputado Sandro Gozi também saudou a vitória do campo francês. “Os britânicos queriam diminuir o acesso à pesca em 80%, mas teremos uma diminuição de apenas 25%, até 2026. Então, considerando as dificuldades da negociação, foi um bom resultado”, analisa.
A conclusão de um acordo no último minuto, no entanto, não significa o fim das conversas, como explica Fréderic Meran, especialista de questões europeias na Universidade de Montreal. “Se observarmos, por exemplo, a relação da Suíça com a União Europeia, nós observamos que a negociação é permanente, porque há questões sobre as quais é preciso negociar novos acordos”, cita. “Então, sobre essa base que foi acordada haverá uma negociação permanente entre o Reino Unido e aquele que vai permanecer o seu principal parceiro econômico: a União Europeia”, prevê.
Fonte: RFI