
O Mississippi trocará de bandeira, decidiu nesta terça-feira (30) o governador Tate Reeves, do Partido Republicano. O novo símbolo do estado norte-americano não terá mais o emblema confederado — ligado a grupos racistas e supremacistas brancos (leia mais no fim da reportagem).
A medida havia sido aprovada no Congresso estadual no domingo após intensos debates levantados após a morte de George Floyd por um policial branco no Minnesota, o que gerou protestos contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo.
Uma comissão vai desenhar a nova bandeira, que não poderá ter o símbolo confederado e deverá conter a inscrição “In God We Trust” — “Em Deus nós confiamos”, em uma tradução livre. Com a assinatura da lei nesta terça, a atual bandeira perde validade.
Em breve entrevista, o governador Reeves pediu reconciliação e unidade. “Somos um povo resiliente conhecido por nossa hospitalidade”, afirmou em cerimônia.
“Somos um povo de grande fé. Agora, mais do que nunca, devemos nos apoiar nessa fé, deixar nossas divisões para trás e nos unirmos por um bem maior”, completou Reeves.
Mississippi e os confederados
A bandeira do Mississippi tinha o símbolo confederado no canto superior esquerdo há 126 anos. Trata-se de um emblema com fundo vermelho e um X azul com 13 estrelas brancas. Em 2001, os eleitores do estado decidiram manter a bandeira.
Segundo a agência Associated Press, o símbolo foi colocado em 1894 por parlamentares estaduais que se opunham à conquista de direitos por negros norte-americanos, no período pós-abolição após a Guerra Civil Americana (1861-1865). Antes uma bandeira do grupo dos Confederados, o símbolo foi adotado por grupos supremacistas brancos como a Ku Klux Klan.
Na Guerra Civil Americana, os estados confederados — entre os quais o Mississippi — se opunham à abolição da escravatura. Essa região ficou conhecida como o Sul, onde a tensão racial ainda é marcante.
Com um longo passado segregacionista, Mississippi é o último estado da União a usar estes símbolos em sua bandeira, depois que a Geórgia os eliminou da sua em 2003.
Com os protestos antirracismo nos EUA, estátuas, monumentos e símbolos relacionados à escravatura e aos confederados têm sido alvo de protestos. Em alguns casos, com retiradas de monumentos por autoridades locais.
Fonte: G1