
Na madrugada de 8 de dezembro de 2018, quatro mulheres disseram, no programa Conversa com Bial, terem sido abusadas por João Teixeira de Faria, ou João de Deus, o famoso médium de Abadiânia, ou John of God, para incontáveis seguidores do curandeiro espiritual em vários países. As denúncias transmitidas no programa da TV Globo abriram o caminho para uma enxurrada de relatos de abuso sexual contra vulneráveis, que chegaram a 319, segundo o Ministério Público de Goiás.
Um ano depois do acontecimento, ao qual alguns moradores de Abadiânia se referiram como “um apocalipse”, a pequena cidade de 18 mil habitantes, onde ainda funciona a Casa de Dom Inácio, local em que o médium atendia os fiéis, tenta se recuperar da repentina decadência.
A presença do médium na cidade por mais de 40 anos estimulou uma crescente economia informal, que gerou benefícios financeiros para muita gente, em números que a prefeitura não sabe precisar. Hoje, a ausência de João de Deus — que há um ano cumpre prisão preventiva no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia — é, também, uma forte presença. Isso é constatado em ruas vazias no entorno da Casa de Dom Inácio, na queda no faturamento do comércio local e em relatos de tristeza e casos de depressão entre as pessoas que gravitavam em torno da casa.
Fonte: Correio Braziliense