
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, pressionou a China na primeira conversa entre altos funcionários das duas potências desde que o presidente Joe Biden assumiu o cargo.
A conversa foi com Yang Jiechi, o homólogo de Blinken. O norte-americano fez perguntas sobre o tratamento dado aos uigures, ao Tibete e a Hong Kong.
“Deixei claro que os Estados Unidos continuarão a defender nossos interesses nacionais, nossos valores democráticos e responsabilizar Pequim por seus abusos do sistema internacional”, disse Blinken em uma rede social.
Blinken também “pressionou a China a se juntar à condenação internacional do golpe militar em Mianmar”, disse.
O chefe da diplomacia americana afirmou que os EUA responsabilizariam Pequim por qualquer “tentativa de ameaçar a estabilidade na região do Indo-Pacífico, incluindo o estreito de Taiwan, e por minar o sistema baseado em regras internacionais”.
Ele já havia afirmado, em sua audiência de confirmação, que continuaria com a política do ex-presidente Donald Trump em relação à China, um dos raros pontos de concordância entre o governo republicano anterior e o atual governo democrata.
Ele ainda disse que concorda com a afirmação de seus antecessores no Departamento de Estado de que Pequim está cometendo um genocídio na região ocidental de Xinjiang contra a minoria muçulmana uigur.
Yang Jiechi disse na conversa com Blinken que Hong Kong, a província de Xinjiang e o Tibete são “temas internos chineses” e que “nenhuma força estrangeira pode interferir neles”. Ele pediu a Washington que “corrija os erros” dos últimos anos, segundo um comunicado da embaixada da China nos Estados Unidos.
Jiechi também destacou a importância de que Washington “respeite o princípio de uma só China”, com base no qual Pequim considera Taiwan uma de sua províncias. Ele também disse que a “questão de Taiwan é o problema central mais importante e sensível nas relações entre China e Estados Unidos”.
Quinze países reconhecem oficialmente Taiwan, mas Pequim a considera uma província chinesa e ameaça retomá-la à força no caso de uma proclamação formal de independência.
A China também intensificou a repressão no território semiautônomo em Hong Kong, prendendo ativistas proeminentes sob uma nova lei imposta após grandes protestos ocorridos em 2019.
Fonte: AFP