
O opositor russo Alexei Navalny voltou a falar neste sábado (19) sobre sua convalescença e a luta que tem travado para reaprender a andar e se expressar. Ele está em tratamento em um hospital em Berlim, na Alemanha, após ter ingerido uma garrafa de água envenenada, segundo assessores. Neste sábado, ele postou uma foto em seu perfil do Instagram em que aparece em pé, descendo uma escada, dentro do hospital.
“Vou contar para vocês como está minha recuperação. Não há mais obstáculos no meu caminho, mas ainda será longo. Meus problemas atuais, como o fato de que um telefone é tão inútil quanto uma pedra em minhas mãos, são apenas bobagens”, escreveu na descrição da foto.
Navalny, de 44 anos, diz que, até “recentemente”, não reconhecia ninguém e não conseguia responder ao médico que vinha ajudá-lo a reaprender a se expressar todas as manhãs. “Ficava desesperado porque entendia o que o médico queria, mas não sabia onde encontrar as palavras”, descreveu Navalny.
“Agora sou um cara cujas pernas tremem quando sobe as escadas, mas que diz para si mesmo: isso é uma escada, usada para subir, mas é melhor achar um elevador. Antes eu teria parado, olhando com cara de bobo”, brincou.
Na mensagem, ele agradeceu aos médicos por tê-lo feito passar de um “homem tecnicamente vivo” para uma pessoa que tem “todas as possibilidades” de voltar a usar adequadamente o Instagram.
Sem investigação na Rússia
Oponente número um do Kremlin, vítima de uma tentativa de envenenamento em 20 de agosto na Sibéria, segundo seus assessores, Navalny publicou uma primeira mensagem na última terça-feira, dizendo que conseguia respirar sem a ajuda de aparelhos.
“Respirar me encantou, é um procedimento surpreendente e subestimado por muitos. Recomendo”, afirmou, com bom humor, publicando uma foto no leito do hospital, cercado pela mulher e filhos.
Os apoiadores de Navalny publicaram um vídeo explicando que o agente neurotóxico novichok foi detectado em uma garrafa encontrada em seu quarto de hotel em Tomsk, na Sibéria.
Segundo eles, a garrafa e outras provas foram levadas para a Alemanha, por estarem convencidos de que as autoridades russas não iriam investigar o caso.
Fonte: G1