
O primeiro-ministro designado para formar o governo do Líbano, Saad Hariri, disse nesta quinta-feira (15) que decidiu abandonar as negociações após encontro com o presidente libanês, Michel Aoun.
“Está claro que nós não conseguiremos entrar em um acordo com sua excelência, o presidente”, disse Hariri após a reunião. “É por isso que eu me retiro da formação do governo.”
Não há nenhum político, neste momento, que pareça estar disposto a assumir o cargo e retomar as negociações – mas pelo sistema atual, ele deverá ser preenchido por um muçulmano sunita.
Os cargos eletivos no Líbano são divididos de acordo com as religiões majoritárias no país (metade do Parlamento fica com os cristãos e a outra metade, com muçulmanos).
Crise econômica e política
Há quase um ano o Líbano aguarda a formação de um novo governo, processo paralisado desde que o primeiro-ministro Hassane Diab renunciou, logo após a megaexplosão no porto de Beirute.
Diab assumiu com a promessa de um governo técnico para atacar o pesadelo econômico vivido pelo Líbano, o pior desde a Guerra Civil (1975-1990).
O Banco Mundial avalia que o Líbano sofre uma depressão econômica das mais duras da história moderna – sua moeda, a libra libanesa, perdeu mais de 90% de seu valor em menos de dois anos.
Três vezes premiê
Hariri, de 50 anos, já foi primeiro-ministro três vezes desde 2009.
Ele foi eleito, nesta última vez, em outubro de 2020, após a renúncia de Hassan Diab – após a tragédia no porto de Beirute.
O político havia deixado o cargo um ano antes, após ser pressionado por intensas manifestações que pediam por uma renovação da classe política.
Fonte: G1