
Os restos mortais de um líder da Ku Klux Klan começaram a ser desenterrados na terça-feira (1º) de um parque que levava o seu nome em Memphis, no Tennessee, para serem transferidos para um museu.
Nathan Bedford Forrest foi um general do Exército Confederado durante a Guerra Civil Americana, traficante de escravos e o primeiro “Grande Mago” da organização racista, entre 1867 e 1869.
Primeiro será removido um pedestal acima do túmulo de Forrest. Depois, seus restos mortais e os da sua esposa serão transferidos para o novo Museu Nacional da Confederação, em Elm Springs, Columbia.
Os trabalhos estão sendo financiados por US$ 200 mil em doações anônimas. Todo o processo pode levar semanas.
Estátua e nome do parque
Os restos mortais de Forrest tinham sido colocados no local em 1904, após serem removidos de um cemitério em Memphis.
O parque levava o nome do primeiro líder da Ku Klux Klan, mas agora se chama Health Sciences Park (Parque de Ciências da Saúde, em tradução livre).
O nome foi dado porque ele fica ao lado da escola de medicina da Universidade do Tennessee e de uma faculdade comunitária na Union Avenue, uma rua movimentada no centro de Memphis.
A estátua de Forrest (foto no início do texto) foi removida em dezembro de 2017. Para conseguir retirá-la, o parque público teve que ser vendido a um grupo sem fins lucrativos, pois uma lei do Tennessee proíbe a remoção de monumentos históricos de áreas públicas.
O parque onde Forrest foi enterrado tem sido local de protestos associados ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
Debate sobre racismo nos EUA
Ativistas há muito tempo pediam a remoção da estátua e dos restos mortais do general. Eles escreveram “Black Lives Matter” em tinta amarela no chão ao redor da tumba (veja na foto acima).
O debate sobre a remoção de monumentos confederados gera debate e polêmica há anos nos Estados Unidos, em meio a discussões sobre o preconceito racial histórico no país.
A questão é especialmente delicada em Memphis, onde o líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. foi assassinado em 4 de abril de 1968.
Traficante de escravos e proprietário de uma plantação de algodão, Forrest foi uma figura controversa na história do sul do país e morreu em 1877.
O general de cavalaria e suas tropas confederadas são acusados de executar centenas de soldados afro-americanos do Exército da União que se renderam na Batalha de Fort Pillow em 1864.
Fonte: AFP