
O presidente Michel Temer criou um problema para o novo diretor da Policia Federal, Rogério Galloro, ao anunciar na quarta-feira que o ex-diretor Fernando Segovia será adido policial do Brasil em Roma, na Itália. Instrução normativa da própria instituição impede que um policial ocupe dois cargos de adido num prazo inferior a três anos. Segovia foi adido na África do Sul no ano passado, alguns meses antes de ser alçado a direção-geral por Temer.
Quando confrontado com a informação, Galloro reconheceu a existência da instrução normativa e disse a seus auxiliares não saber ainda como a questão será resolvida. A norma, com limites para o preenchimento de cargos de adido, foi editada em 2012 pelo ex-diretor Leandro Daiello. Caberá a Galloro decidir se muda ou não a regra para atender à decisão anunciada por Temer.
Outros ex-diretores que deixaram os cargos com Segovia também foram contemplados com adidâncias. O ex-diretor de Combate ao Crime Organizado Eugênio Ricas será adido nos Estados Unidos. O ex-diretor-executivo Sandro Avelar ganhou o cargo de adido em Londres. Hoje, as adidâncias são os cargos mais cobiçados dentro da PF. Para os policiais, as funções representam salários mais altos e possibilidade de morar com a família no exterior. A demanda por trabalho também é menor que em outros cargos no Brasil.
A adidância na Itália seria um prêmio de consolação. O ex-diretor foi demitido três meses depois de empossado no cargo. Segovia se desgastou por defender Temer publicamente. Quando tomou posse, disse que uma mala de dinheiro não seria suficiente para provar corrupção. Foi uma referência às investigações do Procuradoria-Geral e da própria PF que deram origem a uma das denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra Temer.
Às vésperas do carnaval, o ex-diretor disse que não existem provas de corrupção no inquérito em que Temer é investigado por suposto favorecimento à empresa Rodrimar na edição do decreto dos portos. Os comentários do ex-diretor provocaram forte reação interna, e ele acabou sendo intimado a se explicar diante do ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Desgastado, Segovia foi demitido pelo ministro da Segurança, Raul Jungmann, na segunda-feira. No primeiro ato, logo depois de empossado ministro, Jungmann assinou a demissão do ex-diretor. No dia seguinte, Temer elogiou Segovia em entrevista a uma rádio e anunciou a nova função que ele teria, como adido em Roma.
Fonte: O Globo