
O Senado dos Estados Unidos começa a analisar nesta segunda-feira (12) a nomeação de Amy Coney Barrett para uma vaga na Suprema Corte do país. A juíza conservadora foi indicada por Donald Trump para ocupar a cadeira deixada por Ruth Bader Ginsburg, morta no mês passado.
Os senadores republicanos, que são maioria, tentam uma aprovação em tempo recorde para poder garantir a confirmação de Barrett no cargo antes das eleições de 3 de novembro. Já os democratas têm defendido que a escolha de um novo juiz deve ser deixada para depois do pleito.
Se for aprovado, todo o processo entre indicação e a confirmação terá durado menos de 22 dias. O mais rápido até então foi o do juiz Neil Gorsuch, em 2017, que demorou 66 dias. Ele também foi indicado por Trump.
O primeiro dos quatro dias de audiência será marcado pela participação dos membros da Comissão de Justiça do Senado. Cada um dos 22 membros – entre eles a candidata à vice-presidência, Kamala Harris –, terá dez minutos para apresentar sua argumentação.
A juíza Barrett é esperada no final da sessão desta segunda-feira em que deve fazer um breve pronunciamento. Casada e mãe de sete filhos, Barrett é católica e tende a ter visão conservadora em temas como a legalização do aborto.
Barrett trabalhou para Antonin Scalia, juiz da Suprema Corte morto em 2016 e a quem considera um mentor. Ele também era católico e considerado uma das vozes mais proeminentes do conservadorismo americano na Suprema Corte.
Próximos dias
Depois das argumentações desta segunda-feira, Barrett deve ser submetida a uma sabatina entre terça e quarta-feira. Ela tem o direito de se recusar a responder perguntas que julgar comprometedoras, como temas sensíveis à política norte-americana, como o aborto.
Na quinta-feira, convidados da Comissão irão testemunhar contra e a favor da nomeação de Barrett. Logo após esta sessão, os senadores poderão votar pela confirmação ou não da juíza no cargo. Os democratas tentam pedir um prazo de uma semana para que a votação aconteça.
A votação, que deve acontecer no próximo dia 22 de outubro, deve garantir a vitória da indicação de Trump. O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, já sinalizou a intenção de aprovar Barrett no tribunal o quanto antes.
Surto de Covid
O evento que oficializou a indicação de Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, nos jardins da Casa Branca, é apontado como principal agente de dispersão da Covid-19 entre a mais alta cúpula do governo norte-americano atingindo, inclusive, o presidente Donald Trump.
Democratas tentam usar o acontecimento como forma de atrasar a votação que pode definir Barrett como membro vitalício do tribunal. Pelo menos dois senadores republicanos da Comissão de Justiça testaram positivo para o coronavírus.
Os senadores Mike Lee e Thom Tillis, que estão infectados, não confirmaram se estarão presentes na sessão, mas um porta-voz de Lee disse que o senador do estado de Utah não apresenta nenhum sintoma e aguarda autorização médica para participar.
A senadora Kamala Harris já informou que participará de maneira remota na sessão por conta da pandemia de Covid-19. Segundo a administração do Capitólio, a sala de audiência está preparada para respeitar as medidas de distanciamento e os sistemas de ventilação estão em perfeito funcionamento.
Fonte: G1