
A conquista da América após 37 anos é a obsessão de 10 entre 10 rubro-negros. Um sonho distante? A força do elenco permite sonhar. Mas o retrospecto recente exige cautela e atenção para que um novo vexame não seja acrescentado à coleção. O clube foi eliminado na fase de grupos nas últimas três participações (2012, 2014 e 2017).
O “projeto Tóquio” sempre fez parte do imaginário do Flamengo – o Mundial de Clubes de 2018 será, mais uma vez, disputado nos Emirados Árabes. Nos últimos anos, no entanto, desmoronou diante de aspectos emocionais, falhas e erros de planejamento.
A traumática eliminação em 2017, aparentemente, ensinou lições e fez o Flamengo ter mais carinho com seu planejamento para a Libertadores. Ainda há, no entanto, gargalos. Alguns poderiam ser eliminados, mas outros fogem da alçada do clube. Em um grupo complicado, com River Plate, Emelec e Santa Fé, o Flamengo sabe que não há espaço para erros.
Como vem o elenco?
O Flamengo foi tímido no mercado e trouxe apenas três reforços – Henrique Dourado, Marlos Moreno e Julio Cesar. O goleiro, inclusive, sequer foi inscrito na Libertadores. A base considerada titular foi mantida. Saíram Muralha, Rafael Vaz, Marcio Araújo, Mancuello e Gabriel, nomes contestados e desgastados com a torcida.
As maiores preocupações são as laterais. Pará, Rodinei, Renê e Trauco oscilam muito. Protagonista do ataque nos últimos anos, Guerrero está suspenso e, a princípio, volta somente em maio, para os dois últimos jogos da fase de grupos.
Fla tentou não deixar gargalos no elenco e trouxe Dourado para o lugar de Guerrero. Fase dos laterais preocupa
O que foi feito?
Os principais buracos do elenco na Libertadores de 2017 foram preenchidos. Hoje, o gol não preocupa o clube e os setores de criação e ataque – especialmente pontas – estão mais encorpados. O departamento de futebol foi certeiro na contratação de Dourado para suprir a momentânea ausência de Guerrero. As laterais, no entanto, são o calcanhar de Aquiles. O Flamengo tentou Zeca, em litígio com o Santos, mas desistiu por questões jurídicas. O clube também buscou um zagueiro jovem e rápido (Pablo) e um volante (Walace) para qualificar o elenco, mas não conseguiu. Acredita na força de nomes da base.
Sem a força da torcida
As confusões no Maracanã na final da Copa Sul-Americana, em dezembro, tiraram o apoio dos rubro-negros dos dois primeiros jogos em casa na Libertadores, contra River Plate (nesta quarta) e Santa Fé (18/4). Algo preocupante, uma vez que a força da torcida ajudou muito a equipe em 2017, quando o Flamengo teve 100% de aproveitamento no Rio de Janeiro.
O que foi feito?
Diante do cenário do dia 13 de dezembro e da enorme repercussão dos incidentes na final da Sul-Americana, a pena de dois jogos com portões fechados pareceu até branda. Mesmo assim o Flamengo recorreu à Conmebol, mas não teve sucesso.
Emocional
É notório o descontrole do Flamengo nos últimos anos na Libertadores. Mesmo em elencos diferentes. Expulsões bobas foram comuns – Toró contra o Nacional (2008), Willians contra a Universidad Católica (2010), Michael contra o Corinthians (2010) e Amaral contra o León (2014). Ano passado, o colombiano Berrío é quem foi expulso pelo torneio continental – na derrota fora de casa para a Católica.
Mais decisivo até do que os cartões vermelhos, foi a dificuldade que o clube teve de controlar e segurar resultados favoráveis. Foi assim, por exemplo, contra Emelec (2012), Olímpia e Bolívar (2014) e San Lorenzo (2017). Jogos que custaram caro e resultaram, direta ou indiretamente, na eliminação na fase de grupos.
Traumática eliminação para o San Lorenzo acabou com o sonho da conquista da América em 2017 (Foto: JUAN O
que foi feito?
Nesse aspecto, pouco foi feito. Desde a saída de Fernando Gonçalves, coordenador de psicologia do Centro de Excelência em Perfomannce, e do psicólogo Carlos Eduardo Brito o clube procura substitutos, que só devem começar a trabalhar no dia a dia do futebol em março.
Não é regra ter psicólogo no futebol. No Rio de Janeiro, por exemplo só o Vasco tem no momento. A favor, o temperamento de Carpegiani, tido por todos como um treinador calmo.
AS ÚLTIMAS TRÊS PARTICIPAÇÕES NA LIBERTADORES
2017
Atlético-PR avança na Libertadores e Flamengo é eliminado
Apenas uma combinação na última rodada poderia tirar o Flamengo das oitavas de final, e ela aconteceu. O San Lorenzo virou para cima dos brasileiros no Nuevo Gasometro, enquanto o Atlético-PR foi buscar o 3 a 2 para cima da Universidad Católica após virar em 2 a 1 e sofrer empate perto do fim. Com 100% em casa e sem pontuar fora, os rubro-negros cariocas amargaram a dolorosa terceira colocação.
Time no jogo da eliminação: Alex Muralha; Rodinei, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão e Gabriel (Matheus Sávio); Berrío (Romulo), Everton (Juan) e Guerrero. Técnico: Zé Ricardo
Classificação do grupo 4:
1 – San Lorenzo – 10 pontos (classificado)
2 – Atlético-PR – 10 pontos (classificado)
3 – Flamengo – 9 pontos
4 – Universidad Católica – 5 pontos
Fonte: Globo Esporte