
A ex-esposa de Jonathan Henrique, suspeito de matar a jovem Patrícia Roberta, relatou ter sido vítima de violência física, cometida por ele, em entrevista à TV Cabo Branco. A mulher, que preferiu não ser identificada, teve um relacionamento de cinco anos com Jonathan. Eles tiveram uma filha.
Conforme a ex-mulher, a agressão aconteceu no fim do relacionamento dos dois, quando ele não aceitava a decisão do término. Além disso, a mulher contou que, após o término, ele passou a espera-la na frente de casa. “Não sei quanto tempo ele passava. Só sabia porque meus amigos me ligavam pra dizer: não saia agora, que ele tá aí na frente… Mas acho que era algo em torno de uma hora”, relatou.
A ex-esposa também contou que Jonathan, durante o relacionamento deles, era bipolar, que tinha depressão e crises de ansiedade. “Ele sempre foi uma pessoa que precisou de ajuda”, afirmou.
Durante a entrevista, a ex-esposa do suspeito o descreveu como sendo “bastante organizado em tudo o que fazia e muito inteligente”. Ela contou que “ele gostava muito de ler, mas era qualquer tipo de livro […] ele gostava de ler sobre ocultismo também, mas nunca chegou ao ponto de ser alguma coisa extrema”, disse. Durante a perícia, foram encontrados livros supostamente relacionados a ocultismo, no apartamento de Jonathan.
Eles tiveram uma filha juntos. A ex-mulher contou que ele não tinha muito contato com a criança, e que ela tinha que cobrar dele a aproximação com a filha. Segundo a mulher, das vezes em que ele e a filha estiveram juntos, ele se mostrou ser carinhoso, com exceção de uma vez que ele foi violento. “Ele bateu na perninha dela, pra ela chorar e ficar cansada, pra depois dormir”, contou.
Outras vítimas
A ex-mulher do suspeito revelou ter recebido mensagens, nas redes sociais, de muitas mulheres que afirmaram terem sido vítimas de abuso e assédio cometidos por Jonathan. “Muita gente mesmo”, enfatizou.
De acordo com a delegada Emília Ferraz, após a repercussão da morte de Patrícia, outras mulheres denunciaram Jonathan e seu comportamento “agressivo” e o temperamento “explosivo”.
As denúncias foram feitas através do 197, onde é respeitado o anonimato. Segundo Emília, foram muitas denúncias e todas relativas à personalidade e ao perfil de Jonathan, que “tinha um comportamento violento para outras mulheres em conduta de relacionamento amoroso”.
O suspeito
Jonathan Henrique, de 23 anos, morava sozinho em Gramame. Tem passagens pela polícia enquanto menor, por furto e ameaça. Em depoimento, a atual companheira de Jonathan, que também está grávida dele, contou que o jovem faz uso regular de maconha mas que “já usou todo tipo de coisa” – inclusive, a jovem também informou a polícia que os dois teriam passado o sábado (24) usando drogas em um apartamento em Mangabeira.
De acordo com Emília Ferraz, as publicações nas redes sociais de Jonathan apontam para o uso de cocaína e uma “mentalidade que seria fora do normal”. A perita Amanda Melo também informou que irá traçar um perfil psicológico do suspeito, por meio dos materiais encontrados no apartamento.
Segundo Amanda, o apartamento de Jonathan mostrou que ele seria uma pessoa “extremamente organizada” e pela forma que o corpo foi descartado pelo suspeito – com duas camadas de lençol, toalha e saco plástico no rosto, pés amarrados, um saco de colchão cobrindo todo o corpo e fios prendendo – mostra que ele teve um “preparo” para o crime.
Durante a perícia, foram encontrados livros supostamente relacionados a ocultismo, um altar, uma lista com nomes de mulheres (incluindo o de Patrícia e o da companheira atual de Jonathan), fronhas com possíveis manchas de sangue, roupas masculinas com algo similar a sêmen, uma lista de desejos (como se tornar “visivelmente mais atraente” e cobrir tatuagens), manuscritos “perturbadores” e indícios de acesso a deep web.