
“A informação de quem era o estuprador da criança começou a circular de maneira distorcida”, disse Martín Cárcamo, promotor criminal, ao site de notícias Infobae.
Segundo o promotor, moradores do bairro Fracción 14 receberam a informação de que o estuprador era um jovem de 21 anos, vizinho da região onde ocorreu o crime, e que já havia brigado várias vezes com pessoas do local.
A multidão acreditava que o autor do crime tinha antecedentes criminais por delitos sexuais, mas, segundo o promotor, o jovem apontado como estuprador não tinha nada do tipo em seus registros.
Segundo o promotor Martín Cárcamo, o rapaz precisou ser escoltado pela polícia e depois levado à delegacia para evitar que também fosse atacado pela multidão.
A polícia também negou que ele tivesse participação no estupro. “Confirmamos que, no momento do abuso contra a criança, o jovem estava trabalhando”, disse Federico Massoni, ministro do governo da província de Chubut, na Patagônia.
‘Uma loucura total’
“O que aconteceu foi uma loucura total, produto do uso irresponsável das redes sociais, que apontou uma pessoa de maneira equivocada”, diz Massoni.
O subchefe da polícia de Chubut, Néstor Gómez Ocampo, deu detalhes da crueldade com que a multidão agiu. Segundo ele, as pessoas conseguiram retirar o pai do jovem das mãos da polícia – os policiais teriam impedido que o homem fosse atropelado.
Ocampo disse que um dos agressores “tentou amarrar o homem com uma corda para arrastá-lo pela rua”, mas a polícia o impediu.
O Ministério Público de Comodoro Rivadavia ressaltou que o linchamento “dificultou” as investigações do estupro da crianças, podendo inclusive ter eliminado evidências.
Enquanto isso, as autoridades de Chubut informaram que iniciaram uma investigação “para determinar a responsabilidade da polícia” no incidente.
Preocupação
Nesta sexta-feira, o jornal argentino Clarín informou que uma juíza de Comodoro Rivadavia decidiu suspender as saídas temporárias de uma pessoa condenada por estupro que tinha permissão para sair da prisão para frequentar a universidade. Ela recebeu ameaças de linchamento.
Nos últimos anos houve na Argentina vários casos de linchamentos contra suspeitos detidos por moradores. Autoridades do país estão preocupadas que as redes sociais possam potencializar mais casos de “justiça com as próprias mãos”.
Fonte: G1