
O quadro recessivo gerado pelo isolamento social atingiu quase todos os setores da economia e trabalhadores, como mostraram os dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mostraram que a economia brasileira encolheu 1,5% no primeiro trimestre. Mas grupos que ocupam, historicamente, posições menos favoráveis no mercado de trabalho têm sido impactados com maior intensidade, como é o caso das mulheres e da população negra.
O canal de contágio da atual crise sobre o trabalho feminino tem sido, principalmente, o trabalho doméstico, com muitas dessas trabalhadoras – a maioria negras – sendo dispensadas por seus empregadores com pouca ou sem remuneração.
As mulheres também são atingidas pelo modo como se inserem no mundo do trabalho: elas ainda são minoria nos postos ligados à produção, como a indústria, transportes e construção, atividades consideradas essenciais nos decretos governamentais de isolamento social. Já entre os serviços não essenciais estão os salões de beleza e estética – ocupados majoritariamente por mulheres.
A população negra, por sua vez, tem sido afetada por compor a maioria dos trabalhadores informais, que são os primeiros a serem demitidos em momentos de crise. Além disso, eles são a maior parte dos brasileiros que trabalham nos comércios de rua, como vendedores ambulantes, por exemplo, que tiveram que ir para as suas casas com as medidas de confinamento.
O G1 ouviu a economista e professora da Unicamp, Marilane Teixeira, e o pesquisador Rogério Barbosa, do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), da Universidade de São Paulo (USP), para detalhar os principais impactos da pandemia do coronavírus sobre trabalho de mulheres e negros.
Fonte: G1