
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou restrições mais severas para o período de 15 a 30 de março, para conter o avanço do coronavírus no Estado. A informação foi divulgada em entrevista nesta 5ª feira (11.mar.2021), no Palácio dos Bandeirantes.
Foi decretada uma “fase emergencial”, nova classificação do Plano São Paulo, mais rigorosa, com restrições inclusive para o funcionamento de serviços essenciais, como supermercados, farmácias e postos de combustível. O governo excluiu serviços da lista de essenciais. Lojas de materiais de construção agora deverão ficar fechadas.
O teletrabalho será obrigatório nas atividades administrativas não essenciais, em órgãos públicos ou escritórios. A entrega de produtos ou alimentos em estabelecimentos será suspensa. As possibilidades permitidas são o drive thru ou o delivery, que poderá seguir funcionando por 24h.
O Estado adotará toque de recolher entre as 20h e as 5h. Também passa a ser proibido a permanência em praias e parques estaduais.
O transporte público continuará funcionando com 100% da frota. A recomendação para evitar aglomerações é adotar um escalonamento nos horários de entrada de trabalhadores: para a indústria, das 5h às 7h; para serviços, das 7h às 9h e para o comércio, das 9h às 11h.
São Paulo também proibiu cultos e missas durante a fase emergencial. Será permitido que pessoas entrem e rezem nas igrejas, de forma individual.
Jogos de futebol também serão suspensos. Vai afetar partidas do Campeonato Paulista. Os jogos de times de São Paulo na Copa do Brasil serão transferidos para outros Estados. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, havia feito a recomendação ao governador, na 3ª feira (9.mar).
Desde o dia 3 de março o Estado inteiro está na fase vermelha, que era a mais rígida, ao permitir apenas o funcionamento dos serviços essenciais.
Paulo Menezes, médico e coordenador do centro de contingência da covid-19, afirmou que a fase emergencial foi adotada para aumentar o distanciamento social no Estado para mais de 50%. A expectativa do governo com as novas regras é de que mais 4 milhões de pessoas deixem de circular.
José Medina, membro do centro de contingência da covid-19, recomendou que as pessoas guardem máscaras para usar no natal, pois a previsão é de que ainda será preciso usar a proteção até o final do ano, pelo menos. Afirmou que é mais perigoso se infectar participando de festas de aniversários do que no transporte público lotado.
O secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que a velocidade da pandemia é “impiedosa”, e pediu a conscientização de todas as pessoas. “Vários dos nossos hospitais estão comprometidos”, disse. Segundo o secretário, 53 municípios estão com 100% de ocupação em unidades de saúde.
A ocupação de leitos no Estado é de 87%. Em 22 de fevereiro, a taxa era de 66%. “Vejam a velocidade da instalação dos doentes em nosso sistema de saude. Tínhamos, em 22 de fevereiro, 6.400 pacientes internados em UTI (unidade de terapia intensiva). Hoje, temos 9.184 pacientes. São, em média, 150 novas admissões nas UTIs a cada dia”, declarou.
São Paulo tem 1.065 pessoas aguardando uma vaga para internação em UTI e enfermaria.
O governador João Doria disse estar “bastante triste” em anunciar as medidas. Apresentou um vídeo com 11 hospitais paulistas com mais de 95% de ocupação dos leitos de UTI.
Em vídeo publicado antes da entrevista em seu perfil no Twitter, nesta 5ª feira (11.mar), e divulgado pela assessoria do governador, o tucano afirmou que este é o momento mais crítico da pandemia e que vai aumentar o rigor no distanciamento social para diminuir a circulação do vírus.
“Não é fácil tomar essa decisão, uma decisão impopular, difícil, dura, nenhum governante gosta de parar. Neste momento só temos o isolamento como alternativa para reduzir a marcha do vírus”, declarou Doria. “O Brasil está colapsando, e se nós não frearmos o vírus, não será diferente aqui em São Paulo”, afirmou.
Doria disse que apenas aumentar os número de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) não é o bastante para evitar um colapso na saúde paulista, pois não há profissionais de saúde em quantidade suficiente para operá-los.
“Estamos tentando equilibrar essa equação da economia com a saúde. Mas temos que entrar numa nova etapa do Plano São Paulo. Ela é mais restritiva, eu reconheço”, afirmou. “Como governador de São Paulo vou cumprir o meu dever, a minha obrigação, e honrar o cargo que ocupo, mesmo que isso custe a minha popularidade”.
Na 3ª feira (9.mar) São Paulo registrou o recorde de mortes pela covid-19 em um único dia, desde o começo da pandemia. Foram 517 mortes, segundo dados do governo paulista, e 16.058 novos casos. A ocupação dos leitos de enfermaria e de UTI também está em níveis recordes. Até 3ª feira (9.mar) o Estado tinha 8.972 pessoas em UTI, uma lotação de 82%. A 1ª vez que passou de 80% foi no dia 7 de março.
“A cada 2 minutos existem 3 admissões em nossos hospitais, em UTI ou enfermaria”, disse o secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, na 4ª feira (10.mar), em entrevista no Palácio dos Bandeirantes.
Até a última atualização, desta 4ª feira (10.mar), São Paulo somava 2.149.561 de casos de covid, desde o começo da pandemia. São 62.570 mortes pela doença.
Fonte: Poder 360