
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a 71ª fase da Operação Lava Jato. A ação é um desdobramento da 57ª fase da operação, que investigou o pagamento de propinas a funcionários da Petrobras por empresas que atuam na compra e venda de petróleo e derivados.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os alvos da investigação são operadores financeiros e doleiros. A TV Globo apurou que o operador financeiro investigado é Carlos Murilo Goulart Lima.
De acordo com a PF, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e dois ofícios para obtenção de dados telemáticos.
Os mandados foram cumpridos nas seguintes cidades:
- Rio de Janeiro: 7 mandados de busca e apreensão;
- Cabo Frio: 1 mandado de busca e apreensão;
- Petrópolis: 4 mandados de busca e apreensão e 2 ofícios judiciais para obtenção de dados telemáticos.
Também foram expedidas ordens para bloqueio de bens de R$ 17 milhões, que é o valor estimado dos prejuízos causados à Petrobras com o esquema.
As ordens judiciais foram expedidas pela 13ª Vara Federal da Justiça Federal, em Curitiba.
Segundo a PF, foram apreendidos computadores, pendrives e celulares.
Os agentes também apreenderam R$ 84 mil, US$ 11.680 e mais de €$ 9 mil em espécie, além de obras de arte.
O G1 tenta contato com a defesa de Carlos Murilo Goulart Lima.
A Petrobras informou que é vítima dos crimes desvendados pela operação, que a companhia colabora com as investigações desde 2014 e que atua como coautora do MPF e da União em 18 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 62 ações penais.
Investigação
De acordo com o MPF, o operador financeiro intercedia, entre 2008 e 2014, para que funcionários da Petrobras fossem promovidos e mantidos em cargos estratégicos para que pudessem viabilizar esquemas de geração de propina em importações de asfalto e negociação de outros derivados.
O MPF informou que este operador é ligado a um ex-ministro de Minas e Energia. No período, o ministro era Edison Lobão (MDB).
Lobão é réu na Lava Jato em um processo que investiga corrupção em contratos da Transpetro.
A defesa de Edison Lobão afirmou que se manifestará somente no processo, após ter pleno conhecimento dos fatos sob apuração.
Na fase deflagrada em 2018, a força-tarefa identificou e-mails que mostravam Goulart Lima atuando para que apadrinhados fossem colocados em cargos estratégicos na Petrobras para gerenciar esquemas de propina.
Na operação desta quinta-feira, a PF buscou provas para identificar quanto o operador recebeu nestes esquemas.
Fonte: G1