
A reconstituição da ação policial que culminou com a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, na zona rural da cidade de Esplanada (BA), apontou que não houve execução e nem tortura por parte de policiais, de acordo com perito criminal da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), que participou de coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (26).
Segundo o perito criminal José Carlos Montenegro, foram dois tiros que atingiram Adriano.
“Adriano tinha treinamento em combate e característica de resistir. A guarnição chegou primeiro. O tenente sabia exatamente o local porque conhecia a área. Eles avistaram, ao passar na frente o sítio, um suspeito de características similares com o indivíduo que era procurado”, falou.
Ainda segundo ele, os três policiais envolvidos no caso puderam apresentar suas versões, e as três versões foram unânimes e convergiram.
“Eles [policiais] frisam que, quando começaram o deslocamento, o suspeito corre para dentro do imóvel. A guarnição incursionou para a estada de acesso, o primeiro soldado, que usava um escudo e portava uma submetralhadora, não disparou em momento algum”, afirmou o perito.
“Verbalizam para o interior que o indivíduo se rendesse e saísse, não havendo qualquer resposta no interior da casa. Diante do silêncio e ausência de resposta, o tenente deu a ordem para arrombamento da porta principal. Os disparos são efetuados no momento em que o aríete é usado para arrombar a porta, e a guarnição se depara com suspeito armado. A guarnição se deparou, e o escudo recebe os primeiros tiros. A guarnição estava sob a proteção do escudo. Não só ele recebe disparos, a parede posterior à célula tática também foi atingida – janela e porta frontal. Foram pelo menos sete disparos efetuados pelo suspeito”.
“A célula atingida revida em dois disparos quase simultâneos. Você tem policiais sob efeito de arma de fogo, e eles reagem com dois disparos e atingem o suspeito. Dois disparados pelo tenente e soldado da retaguarda, tudo em correspondência ao laudo de necropsia. Duas lesões constatadas no corpo da vítima. Atingido, o indivíduo cai em tombamento em frente o hall de circulação, entre o hall e a parte posterior da sala. Tenente recolheu a arma após Adriano ferido”, acrescenta o perito.
Ainda de acordo com o perito, toda a ação transcorreu cerca de 6 minutos e 630 segundos. Um empo rápido, ação extremamente rápido, é normal que haja esquecimento de pequenos detalhes.
Fonte: G1